O que achei do Oscar 2016

Foto de Leonardo DiCaprio posando com seu Oscar 2016

E chegamos ao final da temporada de premiações. A entrega dos prêmios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas ocorreu no último domingo e estava sendo bastante aguardada por algumas razões: como o comediante negro Chris Rock iria reagir à repercussão negativa pela falta de negros dentre os indicados? Leonardo DiCaprio, enfim, levaria seu primeiro Oscar? Lady Gaga iria confirmar o favoritismo e levar o prêmio de Melhor Canção Original? Quem venceria como Melhor Filme: “Mad Max” ou “O Regresso”? Apesar de ter seguido um padrão engessado, a cerimônia teve suas surpresas.

Foto de Chris Rock abrindo a cerimônia do Oscar 2016

Como apresentador da noite, Chris Rock, não aliviou nem um pouco. Quase todas as suas piadas remetiam à questão racial, tentando minimizá-la, dizendo que este tipo de coisa sempre aconteceu, que Hollywood sempre foi e continua sendo racista e atacou diretamente alguns dos que boicotaram a premiação, como Jada Pinkett-Smith. Também disse que essa questão no Oscar só seria resolvida quando se criassem categorias exclusivas para negros, usando como argumento a separação das categorias entre homens e mulheres, uma grande bola fora de sua parte. Ele deu a entender que, nos tempos de hoje, ainda é necessário segregar para que negros e mulheres tenham chances na premiação! Seu posicionamento foi bem contrário ao da presidente da Academia, que mudou os critérios de elegibilidade dos votantes para os próximos anos, a fim de promover maior diversidade nas escolhas. Mas Rock também afirmou que o problema reside na falta de oportunidades para artistas negros, como Viola Davis já havia dito antes. Eu concordo com isso, mas penso que a mudança nos votantes da Academia vai melhorar a situação nesta premiação e pode acabar sendo seguida por outras. Enfim, sua participação foi muito controversa, causou uma certa saia-justa entre os presentes e até mesmo entre os telespectadores e é possível que não volte a apresentar a premiação no próximo ano.

Foto de cena do filme 'Ex-Machina: Instinto Artificial'

“Mad Max: Estrada da Fúria” (Mad Max: Fury Road) levou quase todos os prêmios nas categorias técnicas, como já se esperava. O filme venceu 6 das 10 categorias em que foi indicado. Mas a grande surpresa foi a vitória de “Ex-Machina: Instinto Artificial” (Ex-Machina) na categoria de Melhores Efeitos Visuais, superando o também favorito “Star Wars: O Despertar da Força” (Star Wars: The Force Awakens). Embora seus efeitos visuais realmente sejam muito bons, achava que não seria páreo para os blockbusters de maior orçamento. Confirmando as previsões iniciais, “Spotlight: Segredos Revelados” (Spotlight) e “A Grande Aposta” (The Big Short) levaram os prêmios de Melhor Roteiro e Melhor Roteiro Adaptado, respectivamente.

Foto promocional de 'Divertida Mente'

Como já se esperava, “Divertida Mente” (Inside Out) foi eleita a Melhor Animação, fazendo com que “O Menino e o Mundo”, o único representante brasileiro desta edição, saísse de mãos vazias. O Melhor Curta Animado foi “A História de um Urso” (Historia de un Oso), como eu já previa, dando ao Chile seu primeiro Oscar. “Amy” levou, merecidamente, o prêmio de Melhor Documentário e o húngaro “O Filho de Saul” (Saul fia) venceu o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro, como também já era esperado. No momento em que é feita uma homenagem póstuma aos nomes do cinema já falecidos, mencionaram Alan Rickman e David Bowie, mas esqueceram de George Gaynes, que faleceu no dia 15 do mês passado. Gaynes atuou em séries como “Punky, a Levada da Breca” (Punky Brewster) e na série de filmes “Loucademia de Polícia” (Police Academy).

Foto do momento em que Brie Larson agradece por seu prêmio no Oscar 2016

Stallone acabou sem levar o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante por seu papel em “Creed: Nascido para Lutar” (Creed), perdendo-o para Mark Rylance, de “Ponte dos Espiões” (Bridge of Spies). Particularmente, a performance de Stallone realmente não foi excepcional, mas preferia que o prêmio tivesse ido para Tom Hardy, de “O Regresso” (The Revenant). Já Alicia Vikander e Brie Larson confirmaram seus favoritismos, levando os prêmios de Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Atriz, respectivamente, por “A Garota Dinamarquesa” (The Danish Girl) e “O Quarto de Jack” (Room).

Foto do momento em que Sam Smith e Jimmy Napes estão agradecendo o prêmio que ganharam, no Oscar 2016

O quase nonagenário e talentoso compositor Ennio Morricone finalmente levou seu primeiro Oscar, pela trilha sonora de “Os Oito Odiados” (The Hateful Eight) e se emocionou ao subir ao palco para fazer seus agradecimentos. Falando em emoção, Lady Gaga recebeu aplausos de pé de todo o auditório depois de sua performance de “’Til It Happens to You”, música-tema do documentário “The Hunting Ground”, sobre abusos sexuais nas universidades americanas. A apresentação, bastante tocante, contou com a participação de diversas pessoas que sofreram abusos. Apesar do grande favoritismo de Gaga, Sam Smith e Jimmy Napes levaram o prêmio de Melhor Canção Original, por “Writing’s on the Wall”, música-tema do filme “007 Contra Spectre” (Spectre), que era minha preferência pessoal, embora não tenha nada a ver com o filme em si. Sam inclusive cometeu uma gafe ao agradecer pelo prêmio, comentando que era o primeiro gay assumido ao receber um Oscar, o que não é verdade: antes dele tivemos Elton John com a canção do filme “O Rei Leão” (The Lion King, 1994), por exemplo.

Foto do fim da apresentação de Lady Gaga no Oscar 2016

Campeão de indicações, “O Regresso” levou apenas 3 dos 12 prêmios a que foi indicado. Conseguiu vencer Melhor Fotografia, a categoria técnica onde era o grande favorito, e deu o segundo Oscar seguido na categoria de Melhor Direção para Alejandro G. Iñarritu, que venceu no ano anterior por “Birdman” (2014). E, como não podia deixar de mencionar, Leonardo DiCaprio finalmente ganhou seu primeiro Oscar como Melhor Ator, por seu papel como Hugh Glass, e foi aplaudido de pé. E o maior prêmio da noite, Melhor Filme, foi dado para “Spotlight: Segredos Revelados”, que, ao lado de “A Grande Aposta” e “O Regresso”, era tido como possível vencedor.

Foto do momento em que a equipe do filme 'Spotlight' sobe ao palco do Oscar 2016

A safra de filmes de 2015 foi boa, mas espero que os próximos biofilmes sejam mais próximos das histórias verdadeiras e que os novos critérios da Academia realmente surtam efeito, promovendo uma maior diversidade de raças e gêneros. Eu consegui ver todos os filmes das principais categorias (não vi todas as animações ainda), embora não tenha conseguido postar sobre todos eles no blog antes da premiação. Talvez eu poste sobre alguns ao longo das próximas semanas, mas tá na hora de variar um pouco o tema aqui, rs.

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