O que achei do filme “O Regresso”

Detalhe do pôster do filme 'O Regresso'

Dirigido por Alejandro G. Iñarritu, “O Regresso” (The Revenant) tem recebido diversas críticas positivas e tem grandes chances de levar os principais prêmios da noite do Oscar. O diretor também está por trás do grande vencedor do Oscar do ano passado — “Birdman” (2014) levou 4 prêmios, incluindo Melhor Filme — e não é o único grande talento deste filme. Leonardo DiCaprio interpreta o protagonista e aproveita esta oportunidade para demonstrar porque ele merece levar o seu primeiro Oscar de Melhor Ator.

Em 1823, Hugh Glass (Leonardo DiCaprio) é o principal caçador do grupo liderado pelo capitão Andrew Henry (Domhnall Gleeson), que busca por peles de animais. Ao adentrar a mata sozinho, Glass acaba sendo gravemente ferido por um urso. Percebendo que Glass os atrasaria e sem querer acabar com o seu sofrimento, o capitão oferece recompensas para quem permanecer ao lado dele até algum resgate ou o seu falecimento. Mesmo concordando em fazer isso, John Fitzgerald (Tom Hardy) não demora a abandoná-lo. Fitzgerald, porém, não sabia que a determinação de Glass e sua sede por vingança seriam maiores que qualquer coisa.

Foto promocional de 'O Regresso', mostrando Hugh Glass

A ideia de se fazer o filme surgiu antes mesmo da publicação do livro homônimo, escrito por Michael Punke, no qual foi parcialmente baseado, o que se deu em 2002 (Iñarritu só entrou no projeto em 2010). Mas a história de Glass, que é verídica, já vem sendo contada desde 1915 e, inclusive, já teve uma adaptação cinematográfica, chamada “Fúria Selvagem” (Man in the Wilderness, 1971). Esta versão mais recente, assim como as anteriores, possui diversos elementos ficcionais: por exemplo, não há indícios de que Glass teve relacionamento com nativos americanos e nem mesmo de que algum filho seu (se é que teve algum) participou de suas caças. Mas estas liberdades do roteiro dão mais credibilidade para que se acredite no protagonista.

Iñarritu não mediu esforços para fazer com que o filme transmitisse a atmosfera selvagem e as condições que os personagens enfrentam. O diretor realizou quase todas as sequências somente com luz natural e sob o frio intenso, para que os cenários e as sensações dos atores também fossem bastante realistas. E ele se aproveita disso, com tomadas contemplativas que evidenciam a incrível paisagem que é o cenário da história; por sinal, a fotografia deste filme é uma grande favorita no Oscar deste ano. As filmagens foram realizadas no Canadá e na Argentina (quando o verão canadense chegou).

Cena do filme 'O Regresso', mostrando John Fitzgerald

Ainda falando da direção, Iñarritu realiza muitos planos-sequência, sua fixação em “Birdman”. E não são cenas simples: são cenas com bastante movimentação dos atores e câmeras, todas muito bem coreografadas. Isso sem falar da cena em que Glass é atacado por um urso: um plano-sequência de 5 minutos, onde Leonardo DiCaprio interage de forma muito realista com um urso (também bastante realista), gerado através de computação gráfica, em um feito tecnicamente impressionante. Se a quantidade de planos-sequência não chega a ser abusiva, não se pode dizer o mesmo das sequências que se passam na mente de Glass. O diretor intercala a história principal com estas sequências, que são quase completamente descartáveis e podem até confundir o espectador.

O olhar de Leonardo DiCaprio é o que realmente expressa as sensações de seu personagem, demonstrando o sofrimento e a raiva que ele sente ao longo das 2h30 do filme. Este é um dos melhores papeis da carreira do ator, embora seu desempenho em “O Lobo de Wall Street” (The Wolf of Wall Street, 2013) seja melhor do que aqui. DiCaprio vem levando a grande maioria dos prêmios em que foi indicado (Golden Globes, Critics, SAG, BAFTA…) e, finalmente, deve levar seu primeiro Oscar. A performance de Tom Hardy como John Fitzgerald também é um destaque. Sem cair no exagero, Hardy imprime o egoísmo e a personalidade forte de seu personagem de uma forma muito intimidadora e verossímil. O ator também recebeu indicação como Melhor Ator Coadjuvante no Oscar por este papel.

Foto promocional de 'O Regresso', mostrando Hugh Glass ferido

Além de ser realista de uma forma brutal e visceral, “O Regresso” tem um ritmo que pode ser considerado arrastado e cansativo por alguns espectadores, mas que é coerente com a longa e sofrida jornada de Glass. Também é um filme muito bom em seus aspectos visuais e técnicos, além de ter paisagens belíssimas como pano de fundo. O longa está indicado a nada menos que 12 prêmios no Oscar, incluindo Melhor Filme e Melhor Direção, e já levou esses prêmios nos Golden Globes e no BAFTA. Provavelmente e, merecidamente, será o grande vencedor da cerimônia.

NOTA: 9,5 / 10

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