O que achei do filme “Brooklin”

Pôster brasileiro do filme 'Brooklin'

Apesar de remeter a um bairro americano (situado na cidade de New York), “Brooklin” (Brooklyn) é um filme britânico, que foi indicado como Melhor Filme no Oscar deste ano. É um dos dois filmes não-americanos indicados nesta categoria — o segundo é “O Quarto de Jack” (Room) — e foi eleito o Melhor Filme Britânico no último BAFTA. Será que sairá vencedor na premiação americana também? Dificilmente, com uma concorrência tão forte, mas o longa faz por merecer um lugar de destaque dentre os indicados.

A história do filme se passa nos anos 50 e conta a história de Eillis (Saoirse Ronan), uma jovem irlandesa que trabalha durante os fins de semana em uma lojinha de sua cidade e que mora com sua irmã Rose (Fionna Glascott) e sua mãe (Jane Brennan). Percebendo que as condições locais não apontavam para um bom futuro para Eillis, Rose decide enviá-la para os EUA, em busca de melhores oportunidades. Morando em uma pensão no bairro do Brooklyn, Eillis vai se adaptando muito bem à nova vida, progredindo tanto no aspecto profissional como no pessoal. Mas ela acaba dividida entre os dois países, entre sua nova vida nos EUA e a família que deixou na Irlanda.

Cena do filme 'Brooklin', mostrando Eillis trabalhando no Brooklyn

O longa, que teve um orçamento de US$ 10 milhões, despertou muito interesse de empresas de distribuição após a sua exibição no Festival de Sundance em 2015, terminando por fechar o maior acordo de toda a história do festival, com a Fox Searchlight, por US$ 9 milhões (quase o orçamento total). O roteiro do filme, escrito por Nick Hornby, é baseado no bestseller homônimo escrito por Colm Tólbín em 2009 e foi indicado a vários prêmios de Melhor Roteiro Adaptado, inclusive nos Critics Choice, BAFTA e Oscar. Como toda adaptação de livro, há algumas diferenças (por exemplo, no original, Eillis tem mais 2 irmãos), mas elas não interferem no resultado final; pelo contrário, favorecem ainda mais o enredo.

“Brooklin” faz uso da imigração de irlandeses para os EUA, algo comum na década de 50, como pano de fundo da busca de Eillis por perspectivas melhores. É possível notar a evolução da personagem ao longo do filme, já que a paleta de cores vai ficando mais vívida e brilhante e seu figurino passa a ser mais elegante. Ela também vai deixando o ar ingênuo, tímido e assustado para trás, distanciando-se da Eillis que vemos no início do filme e tornando-se uma personagem forte, mérito da ótima performance de Saoirse Ronan.

Cena do filme 'Brooklin' mostrando um jantar na pensão da Mrs. Kehoe

Merecidamente indicada para o Oscar de Melhor Atriz por seu desempenho neste filme, Ronan é muito carismática e expressiva, transmitindo emoções apenas com seu olhar (como na cena em que está triste, trabalhando e a sua supervisora pergunta o que ela tem). A atriz também mantém a essência sutil e delicada da personagem mesmo nos momentos mais tensos, onde poderia ter caído na tentação do exagero (ela não precisa gritar para se impor). O longa ainda conta com a participação de Julie Walters (a Molly Weasley da saga “Harry Potter”, que quase não reconheci aqui) como Madge Kehoe, a dona da pensão onde Eillis se hospeda. As cenas em que as garotas da pensão estão fazendo suas refeições são bem divertidas, por conta do ótimo tom de Walters, o que lhe rendeu uma indicação como Melhor Atriz Coadjuvante no BAFTA (algo que também poderia ter acontecido no Oscar).

Cena do filme 'Brooklin', mostrando Eillis dançando com Tony

“Brooklin” deve ser visto de forma despretensiosa. Por ter sido listado ao lado de filmes com histórias complexas, densas e mais profundas, alguns espectadores podem achar que o filme é simples demais. Tecnicamente, ele também não é impressionante; é possível perceber nitidamente que algumas cenas foram filmadas com chroma-key (quando Eillis está no convés do navio, por exemplo) — provavelmente, um reflexo da falta de recursos do filme. O fato é que, devido ao sucesso do filme, já está sendo planejada uma série de televisão focada na pensão da Mrs. Kehoe. Se for tão divertida quanto no filme, deve fazer sucesso também.

NOTA: 8,5 / 10

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