O que achei do filme “A Grande Aposta”

Pôster do filme 'A Grande Aposta'

Em 2005, o excêntrico gestor do fundo hedge Scion Capital, Michael Burry (Christian Bale), descobre que o mercado imobiliário americano, considerado altamente estável, está a beira de um colapso. Ele decide fazer seguros sobre hipotecas, para que possa receber indenizações gigantes quando a inadimplência estiver altíssima, o que acredita que ocorrerá em 2007. Esta informação acaba chegando aos ouvidos de Jared Vennett (Ryan Gosling), o arrogante trader do Deutsche Bank, que convence outro gestor de fundo hedge, o perturbado Mark Baum (Steve Carell) a investir nessa ideia. Acidentalmente, os jovens investidores Charlie (John Magaro) e Jamie (Finn Wittrock) também ficam sabendo disso e se juntam a um antigo parceiro de negócios, Ben Rickert (Brad Pitt), para embarcar na mesma empreitada. Mesmo querendo isso, todos percebem que a queda desse mercado pode significar a ruína do país.

Foto de cena do filme 'A Grande Aposta', mostrando Christian Bale

O filme foi baseado no livro “The Big Short: Inside the Doomsday Machine”, escrito pelo jornalista financeiro Michael Lewis em 2010, que aborda a crise financeira que abalou os EUA e outros países em 2007. Explicando conceitos financeiros de forma dinâmica e até mesmo engraçada, “A Grande Aposta” (The Big Short) consegue o feito de transformar um assunto tão complexo em algo palatável pelo grande público. Não que o espectador acabe entendendo tudo o que é mostrado no filme (é muita informação!), mas a combinação de edição eficiente e roteiro com boa dosagem de humor fazem com que a experiência não seja maçante.

A adaptação do roteiro foi premiada no Critics Choice, no BAFTA (que ocorreu ontem) e no Writers Guild (ocorrido no último sábado) e também é favorito dentre os indicados ao Oscar na mesma categoria. Mas, embora o roteiro use a combinação humor + didatismo para explicar os vários e complexos conceitos, até o espectador mais atento pode ficar confuso, porque ele também precisa lidar com as 3 histórias paralelas. Uma curiosidade sobre o roteiro é que os personagens são baseados em pessoas reais, mas alguns nomes são fictícios, a pedido delas.

Cena do filme 'A Grande Aposta', mostrando Steve Carell e Ryan Gosling

É difícil não se lembrar de “O Lobo de Wall Street” (The Wolf of Wall Street, 2013). Ambos são voltados para a economia americana, lidam com os conceitos e jargões da área de forma lúdica e, ainda por cima, quebram a chamada “quarta parede”, já que os personagens interagem com o espectador ao longo do filme. O filme também faz um bom uso do recurso da narração, que se encarrega de fazer a ligação entre cenas distintas, como as explicações dos jargões, que são realizadas por convidados especiais, como Margot Robbie, Selena Gomez, Anthony Bourdain…

As atuações também são um ponto positivo do longa. Já nas primeiras cenas, Christian Bale, indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, demonstra o quanto seu personagem é esquisito: além de ter um olho de vidro, é dono de hábitos peculiares e não tem muito tato social. O roteiro também permite que Steve Carell consiga demonstrar que não é apenas comediante, oscilando bem entre a arrogância e a tristeza. Os demais também atuam bem, mas Brad Pitt acaba sendo constante demais e não esboça grandes reações ao longo da película. Por sinal, outra curiosidade é que Brad Pitt também é produtor do filme.

Cena do filme 'A Grande Aposta', mostrando Brad Pitt

Além das categorias citadas, “A Grande Aposta” também foi indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Edição. O longa saiu de mãos abanando dos Golden Globes e do SAG Awards, mas eu acredito que pode acabar levando pelo menos o prêmio de Melhor Roteiro Adaptado no Oscar.

NOTA: 9 / 10

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