O que achei de “Spotlight: Segredos Revelados”

Foto promocional do filme 'Spotlight: Segredos Revelados

O jornal Boston Globe possui uma equipe de jornalismo investigativo chamada Spotlight, formada por Michael Rezendes (Mark Ruffalo), Sacha Pfeiffer (Rachel McAdams), Matt Carroll (Brian d’Arcy James) e o editor Walter Robinson (Michael Keaton). Marty Baron (Liev Schreiber), o recém-chegado editor do Boston Globe, mostra-se interessado em uma coluna publicada no fim de semana, que relatava que o arcebispo de Boston sabia que um padre abusava sexualmente de crianças por pelo menos 15 anos mas que nada fez para intervir. Ao investigar esse fato, a pedido de Baron, a Spotlight descobre que a verdadeira história a ser contada é mais profunda e muito mais chocante.

Desenvolvido em 2013 por Tom McCarthy (que também é o diretor) e Josh Singer, o roteiro do filme se baseou em uma história verídica e grande parte das situações mostradas realmente ocorreram, da forma como são vistas. As informações sobre os abusos, por mais absurdas que possam parecer, também são reais. Em uma entrevista, McCarthy afirmou que abordou cada um dos jornalistas da verdadeira Spotlight (que venceu o prêmio Pullitzer por conta da investigação) sobre os mesmos fatos, de forma que pudessem obter uma maior precisão sobre eles. Além de aumentar a credibilidade do roteiro, esse trabalho faz com que o filme acabe flertando com o gênero de documentário.

Cena do filme 'Spotlight: Segredos Revelados', mostrando Mark Ruffalo

Já se sabe a respeito dos escândalos de abusos e pedofilia que ocorrem na Igreja Católica há décadas, mas não se vê medidas eficazes para combater este problema. Pelo contrário, como o próprio filme nos mostra, a Igreja usa de seu poder e influência para fazer com que os casos sejam esquecidos, que as vítimas sejam desacreditadas ou caladas e que os criminosos (porque é isso o que são) continuem exercendo suas funções livremente. Ainda pior, em certo momento do longa, os personagens ficam perplexos com a sua “cegueira” e se perguntam como não perceberam o que estava acontecendo há tanto tempo. É uma reflexão que atinge até mesmo os espectadores.

Mesmo que conte com a presença de muitos personagens, o roteiro permite que os principais se desenvolvam e que se possa perceber o quanto cada jornalista da Spotlight está envolvido com a polêmica investigação (embora Schreiber não esboce grandes emoções). Esse equilíbrio no desempenho das atuações justificaria os prêmios de Melhor Elenco que o filme recebeu no Critics Choice Awards e no SAG Awards, no mês passado. Mas, individualmente falando, Mark Ruffalo carrega um pouco em algumas cenas, apesar de ter muitos bons momentos. Já Rachel McAdams, por outro lado, tem grandes oportunidades onde poderia ter dado um pouco mais de carga dramática à sua Sacha Pfeiffer. Ambos estão indicados ao Oscar nas categorias de Melhor Ator Coadjuvante, mas não devem levar os prêmios.

Cena do filme 'Spotlight: Segredos Revelados', mostrando Michael Keaton e Rachel McAdams

Sem grandes apelos técnicos, o trunfo de “Spotlight” é a sua história, que é contada em um ritmo acelerado, mérito da edição (que foi indicada ao Oscar). A grande quantidade de conversas e novas informações que surgem durante a investigação pode causar alguma confusão para espectadores mais despreparados. O filme recebeu 6 indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme, Melhor Roteiro Original e Melhor Diretor. É um dos principais concorrentes na categoria principal, ao lado de “A Grande Aposta” (The Big Short) e “O Regresso” (The Revenant). Mesmo que não leve este prêmio, este é um longa eficiente que, além de resgatar o valor do profissional de jornalismo, traz à tona os fatos sobre um escândalo, que estava (e ainda está) diante dos olhos de todos os católicos.

NOTA: 9 / 10

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