O que achei de “Joy: Um Nome de Sucesso”

Pôster do filme 'Joy: Um Nome de Sucesso'

A nova parceria entre o diretor David O. Russell e os atores Jennifer Lawrence, Robert DeNiro e Bradley Cooper se chama “Joy: Um Nome de Sucesso” (Joy) e estreou nos cinemas brasileiros no dia 18 de Janeiro deste ano. Os 3 atores já haviam trabalhado anteriormente com Russell em “O Lado Bom da Vida” (Silver Linings Playbook, 2012) e em “Trapaça” (American Hustle, 2013), onde DeNiro fez uma aparição rápida. Mas, apesar da presença deste “dream team”, este filme não consegue ser bom como os anteriores.

Na história do filme, Joy (Jennifer Lawrence) era uma criança muito criativa, que adorava inventar coisas, um indício de que ela viria a ser uma adulta bem-sucedida. A sua realidade atual, porém, é bem diferente: ela é funcionária de uma companhia de aviação, mãe de 2 filhos, divorciada, e mora com sua mãe parasita (também divorciada), sua avó e seu ex-marido (que acabou virando melhor amigo). Seu pai inconsequente também acaba indo morar com ela, depois que sua mulher atual desiste do relacionamento. Em meio a essa vida desestruturada, o lado inventivo de Joy, até então adormecido, renasce e ela decide investir tudo em uma ideia. Para concretizá-la, entretanto, Joy vai precisar superar muitos obstáculos.

Cena do filme 'Joy: Um Nome de Sucesso', mostrando a família de Joy

O roteiro do longa é baseado na história real de Joy Mangano, mas muitas coisas só ocorrem no filme. Por exemplo, Joy não deixou os estudos para cuidar dos pais e dos filhos, o ex-marido de Joy não era cantor, a meia-irmã de Joy não existe na vida real e a mãe de Joy não se comportava da forma como foi mostrado no filme. David O. Russell decidiu reescrever o roteiro original do filme de forma a torná-lo uma “semi-ficção”, o que explica o fato de não mencionar nem o nome completo de Joy, nem o verdadeiro nome do produto que ela inventou ao longo das 2 horas de duração da obra. O resultado final remete a uma história digna de contos de fadas da Disney,  como “Cinderela” (1950), onde a mocinha sofre demais nas mãos de sua própria família até que consiga encontrar a redenção; e não, isto não é um elogio. Mas, apesar disso, o roteiro acaba por pincelar questões feministas, mesmo que seja de forma superficial.

Tecnicamente, “Joy” não se mostra excepcional em nenhuma característica; algumas delas se destacam negativamente: a edição de som deixa muito a desejar nas cenas que mostram a festa na casa da melhor amiga de Joy, por exemplo. Mas o roteiro acaba sendo o maior vilão: além de apelar para flashbacks, sonhos de Joy e até flashforwards, faz uso de narração (da avó de Joy), como se fosse difícil explicar tudo o que se passa na vida da protagonista através das imagens. O filme melhora um pouco a partir do momento que Joy tenta divulgar o seu produto nos programas de televendas mas, até aí, já se passou mais da metade do filme.

Cena do filme 'Joy: Um Nome de Sucesso', quando Joy apresenta Neil a seu pai

Inevitavelmente, a dupla roteiro / direção acaba por prejudicar a atuação. Jennifer Lawrence, uma escolha muito controversa para este papel, por conta de sua jovialidade, consegue se sair melhor nas cenas em que precisa demonstrar impulsividade e bancar a durona. E isso se alterna com diversas cenas em que Joy está melancólica ou até mesmo desesperada, o que faz com que Lawrence pareça interpretar dois personagens distintos, em momentos tão diferentes. Os demais personagens, como dito anteriormente, agem como antagonistas e acabam parecendo muito fabulescos (até o figurino e maquiagem da investidora de Joy lembra a madrasta de “Cinderela”). Uma curiosidade que não pude deixar de reparar é a presença de Melissa Rivers interpretando a sua falecida mãe, Joan Rivers, nos programas de televendas.

Jennifer Lawrence ganhou o Globo de Ouro de Melhor Atriz de Comédia por este filme, algo muito injusto (Melissa McCarthy deveria ter vencido) e ainda conseguiu a proeza de garantir indicações no Critics Choice (o filme não levou nada, merecidamente) e no Oscar, que ocorre no fim do mês. Com uma concorrência muito mais competente, ela não deve levar a estatueta por este prêmio. Não fossem as intervenções de Russell, talvez “Joy” tivesse uma relevância bem maior. Está na hora de Jennifer ir atrás de outros diretores.

NOTA: 6,5 / 10

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