O que achei do álbum “Anti”, de Rihanna

Capa do álbum 'Anti', de Rihanna

Antes tarde do que nunca, Rihanna lançou seu novo álbum, “Anti”, na quinta-feira da semana passada. O álbum acabou vazando horas antes de seu lançamento no Tidal, plataforma de música digital comprada por Jay-Z no ano passado. Não se sabe se foi por conta disso, mas a versão padrão de “Anti” ficou disponível para download gratuito ao longo das primeiras 24 horas após seu lançamento. Já no dia 30/01, a versão Deluxe, com 3 músicas adicionais, foi disponibilizada para compra em todas as plataformas de música digital. O Tidal afirma que “Anti” teve 1 milhão de downloads gratuitos e quase 500 mil downloads pagos, informações que já estão sendo contestadas pela Nielsen. É bom salientar que a versão física está sendo lançada  apenas hoje.

O álbum tem projeto gráfico do artista israelense Roy Nachum, cujas pinturas normalmente mostram pessoas com visão bloqueada por objetos, o que é o caso da capa de “Anti” (aqui, uma coroa dourada impede a visão de uma criança). Durante a festa onde anunciou o álbum, em Outubro do ano passado, Rihanna explicou que o conceito é mostrar que o poder e o sucesso cegam as pessoas em relação aos verdadeiros valores e coisas importantes da vida. Será possível que ela estivesse falando dela mesma?

Foto do evento de apresentação do álbum 'Anti', mostrando Rihanna entre dois quadros

Provavelmente, este é o álbum mais diferente da carreira de Rihanna. Quando deixou a gravadora Def Jam, a cantora surpreendeu todos positivamente ao lançar o folk “FourFiveSeconds” com a participação de Kanye West e Paul McCartney. Meses depois, Rihanna lançou a agressiva “Bitch Better Have My Money”, que fez um relativo sucesso, embora não tenha o mesmo apelo comercial que seus hits anteriores. Por sinal, esta música acabou ofuscando o seu single “American Oxygen”, que veio um mês depois. Entretanto, para surpresa geral, Rihanna não incluiu nenhum desses singles em seu novo álbum!

“Work” foi escolhida como música de trabalho, o que dividiu fãs e críticos. É o único momento realmente animado do álbum, mas não é nada se comparada à “We Found Love”. Com a participação do rapper Drake, o single remete ao reggae e a letra da música tem um refrão bem repetitivo, que faz uso de um dialeto Jamaicano, com palavras como “haffi” (have to), “nuh” (don’t, no) e “guh” (gonna). O próximo single deve acabar sendo “Kiss It Better”, uma baladinha que pode soar mais familiar aos fãs.

Capa do single 'Work', de Rihanna

Passando pelo pop, R&B, hip-hop, soul e folk (nada de dance music desta vez), a versão Deluxe de “Anti” tem 16 faixas, sendo que 2 delas são interludes. Por sinal, ambas são conhecidas dos fãs há mais tempo: Rihanna lançou a excelente “James Joint” em seu site no dia 20/4 (para celebrar o 4/20, captou?) e “Goodnight Gotham” tocou na abertura dos shows que realizou em 2015 (inclusive no show realizado no Rock in Rio). Outra surpresa foi a inclusão de um cover da música “New Person, Same Old Mistakes”, da banda de rock psicodélico (!!) Tame Impala. A versão de Rihanna, renomeada para “Same Ol’ Mistakes”, é extremamente idêntica à original: mantém a mesma base, os mesmos arranjos e Rihanna canta exatamente da mesma forma que o vocalista Kevin Parker. Esta versão é muito boa, como a original, tem muito a ver com o momento atual de Rihanna, mas dá a impressão de que o processo criativo do álbum deixou a desejar.

O álbum abre com “Consideration”, uma música forte mas curta (uma pena), com a participação da cantora Sza, onde Rihanna, como artista, já deixa claro que quer fazer as coisas do jeito dela (recado pra gravadora anterior?). Mas, ao mesmo tempo, Rihanna ainda se questiona sobre esta nova direção, como fica evidente no cover do Tame Impala e na acústica, calma e bela “Never Ending”. A voz de Rihanna também brilha em “Close to You”, acompanhada apenas por um piano; é a última faixa da versão normal de “Anti”.

Foto de cena de um vídeo promocional divulgando o álbum 'Anti', de Rihanna, mostrando a própria usando uma coroa

Há um momento com uma vibe mais pesada, com músicas como “Desperado” e a esquisita “Woo”, mas nada se destaca. E, com “Love On The Brain” e “Higher”, Rihanna se aventura pelo soul, o que é uma boa surpresa! A primeira tem um estilo que lembra muito as baladas de Beyoncé e, na segunda, a cantora tenta demonstrar sua potência vocal (com gritos “arranhados”), sem muito sucesso.

“Anti” não deve agradar aos fãs de seus hits mais dançantes e, apesar de toda a expectativa que se criou em cima dele, é um álbum bem mediano. Na verdade, está mais do que claro que Rihanna resolveu experimentar e não deve estar preocupada com seu sucesso comercial (o álbum foi liberado de graça, rs). Ela merece os créditos por tentar se reinventar, mas deve ter precisado lançar o disco antes de concluir esse processo, o que impactou no resultado final. As melhores músicas, na minha opinião, são: “Consideration”, “Same Ol’ Mistakes”, “Never Ending” e “Work”.

NOTA: 7,5 / 10

Atualização em 22/02: Esta promete ser a semana da Rihanna e de seu novo álbum. Hoje, foi liberado o clipe para o single “Work”, com duas versões em uma! Além disso, na próxima Quarta, espera-se que ela faça sua primeira performance ao vivo, desde o lançamento do Anti, no Brit Awards 2016. Fiquemos de olho!

Atualização em 31/03: Rihanna lançou mais 2 singles do “Anti” nesta semana: “Needed Me” e “Kiss It Better” (como eu previ, neste post). Este último acabou de ganhar um vídeo simplista, mas ousado.

Atualização em 20/04: Rihanna lançou hoje o vídeo para o single “Needed Me”.

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