O que achei de “Snoopy e Charlie Brown — Peanuts, O Filme”

Imagem promocional do filme 'Snoopy e Charlie Brown — Peanuts, O Filme'

Quem tem mais de 25 anos, com certeza conhece Snoopy, Charlie Brown e sua turma. Os personagens criados por Charles M. Schulz fizeram suas primeiras aparições nas tirinhas “Peanuts”, que vinham sendo publicadas em jornais nos EUA, desde os anos 50 até Janeiro de 2000, quando seu criador faleceu. “Peanuts” teve adaptações em desenhos animados, o meio pelo qual os personagens se popularizaram no Brasil. O desenho “A Turma do Charlie Brown” (The Charlie Brown and Snoopy Show) foi exibido por aqui nas décadas de 80 e 90 e cativou muitas crianças (e ainda é transmitido, eventualmente). Agora, o longa animado “Snoopy e Charlie Brown — Peanuts, O Filme” (Peanuts, The Movie) chegou aos cinemas, para manter viva a criação de Schulz e cativar novos fãs, o que provavelmente conseguirá.

A história do filme se passa no início do inverno, quando uma garotinha de cabelo ruivo se muda para a casa em frente à do desafortunado Charlie Brown (Noah Schnapp). Ele logo fica encantado por ela, mas teme que sua falta de jeito e de popularidade acabem fazendo com que ela o rejeite. Mesmo assim, com incentivo de seus amigos, ele vai tentar conquistar a garotinha fazendo com que ela veja o seu melhor lado. Com o seu histórico de azar, será que vai dar certo?

Foto de cena do filme 'Snoopy e Charlie Brown — Peanuts, O Filme', mostrando Charlie Brown indo visitar a garotinha ruiva

O longa intercala esta história com outra, escrita por Snoopy em uma máquina de escrever, sobre o resgate de Fifi, o interesse amoroso do alter-ego de Snoopy, raptada pelo Barão Vermelho. Ambientada na época da Primeira Guerra Mundial, este segmento mostra perseguições áereas em meio a tiros trocados entre os dois; são as sequências mais movimentadas e, podemos dizer, ousadas deste filme.

Os roteiristas do filme, Craig e Bryan Schulz, são respectivamente filho e neto de Charles Schulz. Isso explica tamanha fidelidade ao conceito original de “Peanuts”. Não houve mudanças nas personalidades e nem nas características que tornaram a série icônica. Não há menção a celulares, computadores e tecnologias avançadas. Os personagens usam telefone fixo, máquina de escrever e se divertem soltando pipas e jogando hóquei sobre o gelo. Foram feitas algumas adaptações, mas, essencialmente, o filme é praticamente uma versão em computação gráfica da série animada. Um problema em tentar ser tão fiel é que as situações vividas pelos personagens parecem que variações das histórias que já foram contadas, nos quadrinhos e nos desenhos animados.

Foto de cena do filme 'Snoopy e Charlie Brown — Peanuts, O Filme', mostrando a reação da classe com a chegada da garotinha ruiva

Falando nisso, esta adaptação foi produzida pela Fox em parceria com a Blue Sky Studios, responsável pelos filmes das franquias “A Era do Gelo” (Ice Age) e “Rio”. Apesar de todas as possibilidades  que a tecnologia tridimensional permite, o estúdio manteve a essência da série, o que resulta em sequências compostas, em sua maioria, por cenas onde os personagens estão de perfil, como um falso 2D. Isto não vai chegar a incomodar os fãs, mas, como já foi dito, as cenas da história do Barão Vermelho variam mais, neste aspecto. O design dos personagens não é feito apenas com modelagem tridimensional; as sobrancelhas e e os olhos dos personagens estão “desenhados”, se é que pode se dizer isso, por cima das cabeças dos personagens. É um detalhe que torna este filme ainda mais próximo dos desenhos originais.

Já a trilha sonora eliminou boa parte do jazz que era frequente na série animada, o que pode desapontar os fãs que esperavam mais nostalgia. Foram adicionadas, inclusive, músicas cantadas durante o filme, como “Bamboleo”, do Gipsy Kings e a música-tema do filme, “Better When I’m Dancin’”, de Meghan Trainor. Embora a música seja bastante animada e grudenta, como todo bom pop, não é uma música que combine muito com “Peanuts” (e por conta disso, talvez, não tenha sido indicada para nenhuma premiação).

Cena do filme 'Snoopy e Charlie Brown — Peanuts, O Filme', mostrando o alter-ego de Snoopy em uma perseguição aérea

Outra coisa que provavelmente também vai desagradar os mais puristas é a dublagem brasileira, que foi feita por crianças / adolescentes. Isso meio que explica a falta de emoção nas falas de alguns personagens, como o próprio Charlie Brown, embora não deixe de ser um problema. Pelo menos a dublagem de Snoopy e seu amigo Woodstock foi gerada a partir das gravações arquivadas da voz de Bill Meléndez, o dublador original, falecido em 2008. A voz de Fifi foi feita pela atriz, cantora e dubladora Kristin Chenoweth, que também fez a voz original de Gabi em “Rio 2”. E as vozes dos adultos continuam sendo ininteligíveis, parecendo um “wah-wah” feito com trombones, como na série animada.

“Snoopy e Charlie Brown — Peanuts, O Filme” consegue satisfazer tanto o público que cresceu assistindo aos desenhos como o público infantil que nunca ouviu falar dos personagens. A divulgação do filme foi bastante agressiva, com direito a brindes em lanchonetes e propagandas em muitos veículos. Mesmo assim, o filme não conseguiu indicação para o Oscar e não levou nenhum prêmio no Golden Globe Awards e no Critics’ Choice. De qualquer forma, espero que este seja o primeiro de mais filmes com a turma de Snoopy e Charlie Brown; o sucesso que eles estão fazendo prova que o legado de Charles Schulz ainda consegue cativar as crianças de hoje e  deverá permanecer vivo por bastante tempo.

NOTA: 9 / 10

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