O que achei do filme “Carol”

Pôster do filme 'Carol'

Em New York, nos anos 50, Therese Belivet (Rooney Mara) é vendedora em uma loja e aspirante a fotógrafa. Tem um namorado e vive uma vida bastante convencional. Um dia, na época de Natal, ela avista uma mulher deslumbrante na loja em que trabalha, Carol Aird (Cate Blanchett), que a aborda e pede uma sugestão de presente para sua filha. Therese vai devolver as luvas que Carol esqueceu na loja e se vê cada vez mais fascinada por essa mulher, finalmente descobrindo o que é amar uma pessoa. Para que as duas fiquem juntas, entretanto, será necessário superar muitas barreiras, inclusive sociais.

A história do filme é baseada no romance “The Price of Salt”, escrito por Patricia Highsmith em 1952 (usando o pseudônimo Claire Morgan), que foi relançado como “Carol” em 1990. A temática principal da história é o romance lésbico de Therese e Carol, o que ainda é um tabu nos dias de hoje (imagine nos anos 50). A adaptação cinematográfica foi escrita por Phyllis Nagy há 15 anos, mas a roteirista sentiu que ainda não era o momento apropriado. De acordo com Nagy, a realidade na época não permitia protagonistas femininas fortes. Este quadro ainda não foi completamente revertido, mas a receptividade deste tipo de enredo deve ser maior atualmente do que teria sido na ocasião.

Cena do filme 'Carol', mostrando o primeiro encontro de Therese e Carol

A Therese representada por Rooney Mara passou a impressão de ser altamente deslumbrada com seu interesse amoroso. Em muitos momentos da obra, ela lembra a personagem Bella Swan da saga “Crepúsculo” (Twilight), tamanha é a sua devoção por Carol; passa a viver em função dela e se torna extremamente dependente de seu amor. Chega a ser estranha a indicação recebida como Melhor Atriz Coadjuvante para alguém que faz uma personagem assim. Mesmo que este seja o comportamento da personagem na obra original (o que não sei dizer), a performance de Mara não chega a ser impressionante.

A atuação de Cate Blanchett como Carol, por outro lado, justifica o deslumbramento de Therese (e suas indicações para os prêmios de Melhor Atriz). Sempre elegante (mérito do figurino, indicado ao Oscar), ela faz de Carol uma personagem bem mais forte que Therese e é responsável pelas melhores cenas do filme (a cena da conciliação entre Carol e seu ex-marido, próximo do fim do filme é muito boa). Nas interações com Mara, Blanchett imprime uma sensibilidade e demonstra muito carinho. Inclusive, o beijo entre as duas só acontece depois de bastante tempo; a cena em que as duas fazem sexo é muito bem trabalhada e não é apelativa, de maneira alguma. O filme ainda conta com a boa participação de Sarah Paulson, de American Horror Story, como melhor amiga (e caso antigo) de Carol.

Cena do filme 'Carol', mostrando Carol atrás de Therese, sentada ao piano

Patricia Highsmith tem grandes méritos por escrever uma história tão ousada em tempos tão conservadores, e esta adaptação acaba mostrando que a forma como a sociedade encarava as relações homoafetivas naqueles tempos não é muito diferente dos dias de hoje, infelizmente. “Carol” tem uma temática importante, mas o endeusamento de Carol por Therese é algo que pode incomodar. O filme ainda recebeu indicações ao Oscar de Melhor Fotografia e Melhor Trilha Sonora, mas provavelmente não vai derrotar seus concorrentes. Arrisco até dizer que sairá de mãos abanando da cerimônia.

NOTA: 8 / 10

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