O que achei de ☆ (Blackstar), álbum de David Bowie

Capa do álbum '★' (Blackstar), de David Bowie

David Bowie lançou “★” (Blackstar) no dia de seu aniversário, 08 de Janeiro e faleceu 3 dias depois, pegando quase todo mundo de surpresa. As pessoas mais próximas que vinham trabalhando com ele nos últimos tempos já sabiam que ele estava com câncer; jornais divulgaram que supostamente era localizado no fígado. O produtor Tony Visconti afirmou que “★” já vinha sendo preparado por Bowie como um presente de despedida. A temática do álbum e as letras das músicas não deixam dúvida quanto a isso. Chega a ser bizarro que o álbum tenha vindo a fazer mais sentido depois de sua morte, mas foi exatamente o que aconteceu. Este post já estava programado mas, depois de sua morte, o viés dele foi completamente alterado.

Um trabalho bem experimental, “★” é um álbum extremamente enigmático, assim como muitos dos álbuns anteriores de Bowie. A começar pelo título, que também dá nome à primeira faixa do álbum, cujo verdadeiro significado ainda não está claro. Alguns dizem que a estrela negra simboliza a morte e o renascimento. Outros já dizem que está ligada ao ocultismo. E a teoria mais recente é de que remete ao formato da lesão causada pelo câncer que ele tinha. O (excelente) saxofonista que tocou no álbum, Donny McCaslin, afirmou que a música remete ao ISIS. Com quase 10 minutos, flerta entre o jazz e o eletrônico e tem um ar bem sinistro. É uma das músicas mais esquisitas, mas bastante interessante. O vídeo da música também é bem enigmático.

David Bowie no vídeo da música '★' (Blackstar)

A faixa “Sue (Or In a Season of Crime)” já havia sido lançada como single da coletânea “Nothing Has Changed.”, de 2014. O “lado B” desse single, “’Tis a Pity She Was a Whore”, também virou faixa deste álbum. A diferença é que as novas versões destas músicas estão incríveis, fazem com que as originais pareçam versões demo. O saxofone é fenomenal e a guitarra está bem mais presente nestas novas versões.

“Lazarus” é outra música emblemática. Embora tenha um ritmo simples, sua letra e seu vídeo fazem inúmeras referências à morte: “Você sabe, eu serei livre. Assim como aquele pássaro azul”. Lázaro, inclusive, é um personagem bíblico, que foi ressuscitado por Jesus 4 dias após a sua morte. “Lazarus” também é o nome da peça que Bowie desenvolveu e que deve entrar no circuito Off-Broadway em breve. “Girl Loves Me” é uma música bem ao estilo Bowie, bastante difícil de se compreender, pois sua letra tem palavras do dialeto Nasdat, usado no filme “Laranja Mecânica”, e do Polari, uma linguagem popular nas boates gays londrinas nos anos 70. Eu, particularmente, gostei muito da bateria de Mark Giuliana aqui (nas outras também, mas aqui está bem evidente).

As duas últimas faixas do álbum são mais agradáveis àqueles que preferem algo mais convencional, mas ambas também tem tons mórbidos. Na bonita “Dollar Days”, Bowie fala “I’m dying to”, o que muitos estão considerando “I’m dying too” (Estou morrendo, também). “I Can’t Give Everything Away” é uma linda música para encerrar o álbum, é praticamente uma despedida, com um lindo solo de saxofone.

David Bowie no vídeo para a música 'Lazarus'

“★” é David Bowie encerrando sua carreira em um ponto altíssimo. Eu tenho certeza absoluta de que este álbum já é um marco na história da música e que ainda ouviremos muitas teorias e histórias a respeito dele, assim como aconteceu com álbuns anteriores de Bowie. Ele costumava criar personagens como Ziggy Stardust, Major Tom e Thin White Duke, e penso que este pode ser considerado um álbum de um novo personagem, que está se despedindo da vida terrena. Eu fiquei bem triste com sua partida, mas fico muito feliz de saber que ele deixou um legado que ainda há de influenciar muitos. David Bowie é e sempre será um gênio!

PS: Para este review, eu ouvi a versão digital do álbum, que está disponível no iTunes. Tony Visconti já divulgou que pelo menos outras 5 músicas foram gravadas e deverão ser lançadas em uma versão Deluxe até o final deste ano.

NOTA: 9 / 10

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