O que achei dos Golden Globe Awards 2016

Matt Damon e seu Golden Globe

No último domingo, ocorreu a entrega dos Golden Globe Awards de 2016, a primeira cerimônia de premiação de cinema e TV deste ano. Costumava-se usar os resultados da premiação como termômetro para o Oscar, mas a cerimônia vem perdendo cada vez mais credibilidade com suas categorizações arbitrárias e escolhas questionáveis. Desta vez, não foi diferente e isso está cada vez mais escancarado.

O prêmio foi apresentado mais uma vez pelo comediante Ricky Gervais, no lugar de Tina Fey e Amy Poehler. Gervais fez comentários constrangedores, como era de se esperar, e não poupou sequer o próprio evento: “Uma publicação disse que o fato de eu apresentar a cerimônia poderia fazer com que os atores se distanciassem por terem medo de serem constrangidos. Como se os atores não quisessem concorrer ao Golden Globe — especialmente se a sua companhia de filmes já tiver pago por ele”. Não precisa explicar ao que ele se referia, né?

O filme “O Regresso” (The Revenant) ganhou 3 prêmios dos 4 a que estava indicado; Leonardo DiCaprio confirmou seu favoritismo e levou o prêmio de Melhor Ator de Drama. No campo televisivo, as séries “Mr. Robot” e “Mozart in the Jungle” levaram todos os prêmios aos quais estavam indicados, incluindo Melhor Série em suas categorias. Não foi desta vez que Wagner Moura levou um prêmio de Melhor Ator por “Narcos”, mas se ele for indicado no ano que vem, não haverá Jon Hamm para tomar seu prêmio, já que esta foi a última temporada de “Mad Men”.

Embora eu torcesse por Jennifer Jason Leigh, Kate Winslet levou prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante por “Steve Jobs” e Brie Larson, de “O Quarto de Jack” (Room) desbancou as duas indicações que o filme “Carol” recebeu para a categoria de Melhor Atriz de Drama (Cate Blanchett e Rooney Mara). Não vi nenhum dos dois filmes, mas não imaginei que “Steve Jobs” levaria 2 prêmios (levou também o de Melhor Roteiro). Para consolar Tarantino, Ennio Morricone levou o prêmio de Melhor Trilha Sonora por “Os Oito Odiados” (The Hateful Eight). Mais uma vez, Jennifer Lawrence levou o prêmio de Melhor Atriz de Comédia / Musical, desta vez por “Joy: Um Nome de Sucesso”.

Sam Smith posa com seu Golden Globe

Uma das surpresas da noite foi o prêmio para Sylvester Stallone por seu desempenho como ator coadjuvante no filme “Creed: Nascido para Lutar” (Creed), quando foi ovacionado de pé pelo público presente. O que não me causou surpresa, mas me deixou bem feliz foi a vitória da música-tema de “007 Contra Spectre” (Spectre), “Writing’s on the Wall” na categoria de Melhor Música Original. As concorrentes não eram realmente tão boas quanto essa canção. E, como eu já havia previsto, “Divertida Mente” (Inside Out) levou o prêmio de Melhor Animação.

Ver “Perdido em Marte” (The Martian) categorizado como comédia / musical continuou me causando estranheza. Foi irônico ver que o clipe sobre o filme que foi apresentado na cerimônia não tinha uma cena engraçada. Mesmo assim, o filme acabou levando os prêmios de Melhor Ator de Filme de Comédia e Melhor Filme de Comédia / Musical. Eu gostei que o filme acabou recebendo reconhecimento, mas eu preferia ter visto “A Espiã que Sabia de Menos” (Spy) levando o prêmio  principal da categoria. Outra controvérsia foi terem premiado Lady Gaga como Melhor Atriz de Minissérie, por seu trabalho em “American Horror Story: Hotel”. Ela ter sido indicada eu já achei precipitado, mas levar o prêmio definitivamente eu não esperava, já que seu trabalho na série não chega a ser espetacular.

Lady Gaga recebendo um Golden Globe

O evento foi entediante na maior parte de seu tempo e os discursos dos que venciam não foram memoráveis (como o de Viola Davis no Emmy do ano passado, por exemplo). Espero que as próximas premiações sejam mais concisas e mais interessantes. Semana que vem tem o Critics’ Choice Awards!

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