O que achei de “O Bom Dinossauro”

Pôster do filme 'O Bom Dinossauro'

A dupla Disney / Pixar já havia nos presenteado em 2015 com o incrível “Divertida Mente” (Inside Out), uma pérola dos estúdios, que demonstra a capacidade de se contar uma história original de uma forma emocionante e mágica tanto para crianças como para adultos. Mas, em 2014, não tivemos nenhum lançamento desses estúdios. Isso porque “O Bom Dinossauro” (The Good Dinosaur) teve problemas em seu desenvolvimento que acabaram fazendo com que só ele fosse  lançado depois do filme que já estava previsto para o ano passado. O pior é que isso ainda acabou transparecendo na versão final.

A história do filme se passa em uma realidade alternativa em que a Terra não sofreu o impacto do asteróide que extinguiu os dinossauros. Arlo (Raymond Ochoa) é o caçula de três irmãos, filhos dos apatossauros Henry (Jeffrey Wright) e Ida (Frances McDormand). Fazendeiros esforçados, Henry e Ida constroem uma espécie de depósito grande para estocar a comida da família e deixam suas pegadas (de lama) nele, suas marcas, por terem se esforçado bastante na tarefa. Henry diz que seus filhos precisam desempenhar grandes tarefas se quiserem colocar a sua marca também, o que não é um grande problema para os primogênitos. Arlo tem muitas limitações, sendo a principal delas o seu medo, mas a aparição de um menino das cavernas, Spot (Jack Bright), vai fazer com que ele tenha que enfrentar a dura realidade e seus medos.

Cena do filme 'O Bom Dinossauro', onde Arlo vê um vagalume pela primeira vez

E, a partir daí, “O Bom Dinossauro” entra numa fórmula que termina sendo repetitiva. Na tentativa de tornar um pouco mais dinâmico o processo de amadurecimento de Arlo, o roteiro o faz passar por várias situações, uma atrás da outra. Algumas dessas cenas poderiam ser excluídas sem prejuízo do resultado final, assim como personagens que simplesmente aparecem e desaparecem sem acrescentar absolutamente nada ao filme. Outra coisa que me incomodou profundamente foi a quantidade de similaridades com o filme “O Rei Leão” (The Lion King), também da Disney (eu contei pelo menos 4). Isso não é necessariamente uma coisa boa, pois soa como falta de criatividade. E, para os padrões Disney / Pixar, não deixa de ser decepcionante.

Tirando esses defeitos, o filme consegue entreter e possui algumas boas piadas (eu ri muito da cena em que Arlo e Spot comem uma fruta alucinógena). Outro mérito do filme é a gradual construção da amizade entre os dois, que nos faz acreditar que um se importa realmente com o outro. A dublagem brasileira está boa, embora eu ache que o dublador de Arlo poderia ter usado mais a emoção na fala, em diversos momentos. Só depois que assisti, eu li que os humoristas do grupo “Os Barbixas” fizeram uma participação como os ladrões de gado do filme. Acho que foram bem, pois não achei ruim a dublagem desses personagens enquanto assistia, rs.

Cena do filme 'O Bom Dinossauro', onde Arlo está numa fogueira com a família de T-Rex

Visualmente, o filme é de encher os olhos. Sob sol, chuva e neve, Arlo acaba passando por lugares repletos de paisagens incríveis, durante o dia e a noite, que são reproduzidos de forma magnifíca. O 3D funciona bem nas cenas em que tem bastante movimento na tela (as cenas com as enchentes e o estouro do gado, por exemplo), mas não é algo primordial. A trilha sonora ajuda muito na composição de cenas onde Spot participa, onde praticamente não há diálogos.

A exibição do filme nos cinemas é precedida pelo curta “Os Heróis de Sanjay”, que mostra deuses hindus lutando contra um metamorfo de um desenho animado de super-heróis. Seria bizarro se isto não se passasse na cabeça do pequeno Sanjay. O curta é praticamente ação pura, algo incomum para os curtas das empresas. Eu achei ele bem legal, mas não o achei tão bom quanto curtas anteriores, como “Dia & Noite”.

Cena do curta 'Os Heróis de Sanjay'

Em suma, “O Bom Dinossauro” é um bom entretenimento, mas não tem a mesma força de outros sucessos da Disney / Pixar. Ele está concorrendo a vários prêmios, inclusive os Golden Globes, mas não deve levar a maioria (nenhum?), por conta de “Divertida Mente”, que já vem ofuscando este filme desde antes de seu lançamento. Dica: não precisa ficar no cinema após o fim do filme, pois não há cenas extras após os créditos.

NOTA: 7,5 / 10

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