O que achei do álbum “A Head Full of Dreams”, do Coldplay

Capa do álbum 'A Head Full of Dreams', do Coldplay

Quando eu penso em Coldplay, penso logo nas músicas mais introspectivas como “The Scientist”, alternativas como “Clocks” e baladas como “Fix You”. Eu lembro até que eu falava que era um  grupo com músicas depressivas! Mas, a cada novo CD, a inclinação para o pop aumentava (“A Sky Full of Stars” do álbum anterior é quase um dance e “Princess of China” teve a participação de Rihanna). O novo álbum da banda, “A Head Full of Dreams”, assume logo essa característica; é um álbum quase completamente pop. Depois de ouvi-lo, fica até difícil até de imaginá-los tocando a melancólica “Trouble”.

O álbum, lançado no último 04, foi produzido por Rik Simpson e pelo duo Stargate, responsável por vários sucessos de cantores como Ne-Yo, Rihanna, Katy Perry e Selena Gomez. Acho que eles curtiram fazer a parceria com a Rihanna, no álbum “Mylo Xyloto”, pois aqui eles recorrem a parcerias com nomes como Beyoncé, Tove Lo e até temos a participação inusitada da ex-mulher do vocalista Chris Martin, Gwyneth Paltrow, na música “Everglow”. Porém, as participações são bem secundárias. Na minha opinião, uma artista do calibre de Beyoncé merecia muito mais do que participar de um refrãozinho genérico. Outra “participação” inusitada é a de Barack Obama, na faixa “Kaleidoscope” — um sample do momento em que presidente americano cantava “Amazing Grace” durante um funeral.

Foto dos bastidores do motion-capture para o vídeo de 'Adventure of a Lifetime'

A divulgação do álbum iniciou em Novembro, com o lançamento do primeiro single, “Adventure of a Lifetime”. O grupo apresentou a música durante o American Music Awards 2015 e, ali, eu já não estava reconhecendo a banda. A performance focou mais nos efeitos ao invés da banda e seus instrumentos (saudades de “Viva La Vida” ao vivo)… A música é extremamente animada e a letra é justamente sobre se sentir vivo. Um vídeo também foi lançado, fazendo uso de motion-capture, onde vários macacos cantam e tocam a música.

“A Head Full of Dreams” tem 11 faixas, com 12 músicas. Captou? Existe uma música escondida na faixa 8, “X Marks the Spot”, a partir do minuto 3:23. Bem, o Coldplay lembra um pouco o grupo alternativo que era nestas músicas: “Everglow”, “Amazing Day” e “Up&Up”. As faixas “Kaleidoscope” e “Color Spectrum” (que aparece literalmente como um espectro, na lista de músicas do CD) soam mais como vinhetas; ambas tem menos de 2 minutos e a banda não participa efetivamente. O restante é essencialmente eletrônico ou pop. E é bem estranho ver o Coldplay flertar com o R&B na faixa escondida, “X Marks the Spot”.

Foto da apresentação do Coldplay no American Music Awards 2015

A banda vem anunciando que este é um álbum que encerra um ciclo. Seria o último álbum da banda? Será que Chris Martin vai seguir carreira solo? Será que o Coldplay vai voltar às origens? Ainda não sabemos. Mas “A Head Full of Dreams” não é um álbum que agradará aos fãs mais antigos da banda, principalmente aqueles que curtiam uma vibe mais deprê. Mas, se você curte Coldplay desde a fase “Mylo Xyloto” ou gosta de músicas pop animadas, ouça este álbum! As melhores músicas, na minha opinião, são: “A Head Full of Dreams”, “Hymn for the Weekend” e “Adventure of a Lifetime”.

PS: Para esta review, eu ouvi a versão digital do álbum, que está disponível no iTunes. A edição física vendida na CD Japan tem uma faixa bônus, “Miracles”.

NOTA: 7,5 / 10

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