O que achei de “Malala”

Eu vi o trailer de “Malala” (He Named Me Malala) em Junho e fiquei bem empolgado, embora não tivesse a menor ideia de que ele iria estrear oficialmente no Brasil. Para minha sorte, aqui em Fortaleza, o Cinema Dragão do Mar — Fundação Joaquim Nabuco começou a exibir o documentário na última semana.

O documentário é baseado no livro “Eu Sou Malala” e apresenta o cotidiano da paquistanesa Malala Yousafzai e sua família enquanto remonta os fatos que a levaram a assumir a postura de ativista humanitária. Por defender a educação das mulheres em seu país, postura contrária ao Talibã, Malala foi vítima de um atentado contra sua vida: o ônibus escolar onde estava foi abordado por um atirador que a atingiu na testa. Ela ficou inconsciente por dias, mas sua condição melhorou e ela pôde ser transferida para a Inglaterra, onde recebeu tratamento e passou por uma reabilitação. A história correu o mundo, Malala ganhou notoriedade e conseguiu chamar a atenção para sua causa; ela foi laureada em 2014 com o prêmio Nobel da Paz.

Cena do documentário 'Malala' onde Malala visita uma escola

Durante o documentário, fica bem claro que Malala tem uma forte influência de seu pai, Ziauddin. Ele, inclusive, escolheu o nome baseado na história de uma jovem afegã chamada Malalai, responsável por incentivar seu povo a lutar contra os britânicos na Batalha de Maiwand. Ziauddin, também ativista pela educação, foi proprietário de uma escola, onde Malala cresceu e adquiriu o gosto pelos estudos. O documentário dá bastante espaço para o pai, o que me gerou um pouco de dúvida: o foco é em Malala ou no ativismo presente na família Yousafzai?

“Malala” segue a estrutura de um documentário padrão, intercalando fatos passados com entrevistas com a própria Malala e seus familiares, e com cenas das visitas humanitárias que ela tem feito. Ao retratar fatos passados, o documentário faz uso de animações que parecem ilustrações feitas com aquarela, o que achei legal. Ele também mostra cenas de arquivo, como fotos de família, vídeos de membros do Talibã e os momentos em que Malala está se recuperando no hospital. E, como em um documentário padrão, são mostradas cenas do “cotidiano”: Malala em uma escola britânica, Malala usando um computador, Malala jogando cartas, passeios, etc… Eu sei que isto é um recurso cujo objetivo é mostrar que ela ainda é uma jovem comum, apesar de tudo, mas soou muito artificial — principalmente a cena em que ela está pesquisando na internet… Apesar disso, é possível perceber que, apesar de tudo, Malala ainda é uma garota, que tem o sonho de retornar à sua terra natal.

Cena do documentário 'Malala' onde Malala está brincando com um de seus irmãos

O início do documentário é um pouco confuso, porque ele não estabelece direito se vai seguir a cronologia dos fatos ou não (depois ele acerta o ritmo). Mas ele é bastante didático para aqueles que buscam entender como o Talibã conseguiu dominar a população. Eu realmente não acredito que ele leve alguma premiação grande (Oscar, Globo de Ouro), mas não há como negar sua importância e relevância. Lançado em um momento bastante delicado no mundo, “Malala” nos lembra que o islamismo não é formado exclusivamente por extremistas religiosos. Assim como nos faz perceber que os comportamentos radicais não são exclusividade do islamismo.

NOTA: 8 / 10

>

Comentários

Deixe uma resposta