O que achei de “007 Contra Spectre”

Imagem promocional do filme '007 Contra Spectre'

Eu não sou aficionado pela saga 007, embora reconheça que é uma das maiores e mais populares franquias do cinema, que ainda hoje é influência para diversos filmes do gênero. Mas só assisti a 1 filme completo: “007 — Operação Skyfall” (Skyfall, 2012), que me surpreendeu positivamente. Por isso, resolvi que iria assistir ao novo filme, “007 Contra Spectre” (Spectre), na esperança de que mantivesse o mesmo tom da narrativa. Infelizmente, não foi o caso.

No filme, James Bond (Daniel Craig) recebe uma gravação da agente M anterior (Judi Dench) dizendo que ele deve ir atrás de Marco Sciarra. Ao mesmo tempo, a seção “00” do MI6 está sendo encerrada, graças à influência de C (Andrew Scott), membro do governo britânico. Ele também busca promover um programa de cooperação global de vigilância e inteligência. Apesar disso, sem que seus superiores saibam, Bond inicia uma investigação sobre Sciarra e acaba descobrindo que ele estava envolvido com uma grande organização chamada Spectre, responsável por atentados recentes e também pelos acontecimentos dos filmes anteriores.

Foto de Léa Seydoux como Madeleine Swan no filme '007 Contra Spectre'

Para variar, o filme inicia com uma sequência de ação visualmente interessante e bem tensa, mas não chega a ser tão empolgante e frenética como a sequência inicial de “Skyfall”. Outra marca registrada é a abertura do filme: aqui, temos Sam Smith com “Writing’s On The Wall”, uma música excelente, mas que definitivamente não casou com as cenas da abertura e também não combina muito com a temática do filme (se forçarmos um pouco, poderíamos dizer que a música foi feita para o par romântico de Bond). E o filme continua seguindo todo um esqueleto já conhecido pelo público da saga 007, alternando entre perseguições, clichês, tiroteios, brigas e piadinhas; a previsibilidade é grande neste episódio da franquia.

Foto de cena do filme '007 Contra Spectre' mostrando M e Bond

Daniel Craig continua demonstrando como é um bom ator de ação. Infelizmente, grande parte das nuances dramáticas que foram apresentadas no filme anterior se perderam aqui. Ele interpreta o velho Bond, forte, sedutor, inconsequente e corajoso — ou seja, mais do mesmo. Léa Seydoux, que interpreta Madeleine Swann, consegue passar a imagem de uma mulher madura para sua idade, mas eu não consegui simpatizar com sua personagem. Quando Andrew Scott estava em cena, eu só lembrava do Moriarty (que ele interpreta na minissérie Sherlock, da BBC) e isso não é uma coisa boa. Esperava que ele fosse mais dinâmico. Christoph Waltz não está memorável como Ernst Slavro Blofeld, o homem por trás da Spectre. Por sinal, não curti o figurino que escolheram para seu personagem, ficou esquisito ele andar com calças curtas, sapatos sem meias e uma tang (blusa/jaqueta chinesa)… Ah! Monica Belucci faz uma participação muito, muito curta e simplória. Tanto é que eu ia esquecendo de mencioná-la aqui.

Cena do filme '007 Contra Spectre', onde James Bond está seduzindo a esposa de Sciarra

Embora seja um pouco longo (quase 2h30), o filme é tecnicamente muito bom. Os cenários, a fotografia, os efeitos especiais são muito bem produzidos, como no filme anterior. Inclusive, este filme bateu um recorde do Guinness: maior explosão controlada realizada para um filme, na sequência em que a base secreta da Spectre é detonada. Como na maioria dos filmes da franquia, “Spectre” faz uso de inúmeras locações como Cidade do México (a sequência inicial, no meio da celebração do Dia de Los Muertos), Roma, Tangier e Erfoud (estas duas no Marrocos) e, claro, Londres.

Enfim, “007 Contra Spectre” é um bom filme de ação, mas é uma decepção para aqueles que esperavam tanta profundidade quanto em “Skyfall”. Embora tente fazer uma conexão com alguns dos filmes da franquia, seu roteiro é um previsível e cheio de clichês… Quem é fã do velho James Bond, vai adorar. Vale a pena ver o filme no IMAX, como eu fiz, porque os efeitos visuais e especiais são bem interessantes. Acredito que talvez role alguma indicação em premiações de cinema neste segmento. A música-tema também pode ser indicada, mas como ela não se encaixa no filme, eu não acredito que desponte como favorita.

NOTA: 7,5 / 10

>

Comentários

5 comentários sobre “O que achei de “007 Contra Spectre””

Deixe uma resposta