O que achei de “A Colina Escarlate”

Pôster do filme 'A Colina Escarlate'

Eu não estava tão interessado em ver “A Colina Escarlate” (Crimson Peak), pra ser sincero. O trailer não me empolgou muito e as poucas críticas negativas que li me afastaram um pouco do filme. Mas, por conta do fim de semana de Halloween, a programação de televisão acabou se voltando para os filmes de Guillermo Del Toro (acabei vendo “O Labirinto do Fauno” pela primeira vez e achei o máximo). Isso, aliado ao fato do filme estar passando em IMAX, que agora tem um preço mais acessível em Fortaleza, me fez ir ao cinema para ver se “Colina” seria bom como “O Labirinto”. Só que não…

Quando criança, Edith Cushing (Mia Wasikowska), recebeu a visita do fantasma de sua mãe, alertando-a para não visitar a “Colina Escarlate”. 14 anos depois, Thomas Sharpe (Tom Hiddleston), um baronete (um título de nobreza, mas de nível muito baixo) britânico, aparece no escritório do pai de Edith em busca de investidores para a construção de uma máquina para mineração do barro vermelho que existe em suas terras, mas não logra êxito. Edith se encanta com Thomas, para desgosto de seu pai e seu amigo de infância, Alan (Charlie Hunnam). Após a morte supostamente acidental do pai de Edith, os dois acabam se casando e ela passa a viver em Allerdale Hall, a mansão antiga e decadente da família Sharpe, junto com a irmã de Thomas, Lucille (Jessica Chastain). Somente quando começa a vivenciar experiências aterrorizantes, Edith descobre que ali é a famigerada “Colina Escarlate”.

Cena do filme 'A Colina Escarlate' mostrando Tom e Edith em uma festa

Acredito que um dos problemas é que o filme faz uma mistura um tanto inusitada de gêneros: “A Colina Escarlate” é um romance com sustos. Há diversas cenas de sustos em que os mais sensíveis podem pular da cadeira enquanto se mostra um romance muito melosinho. Particularmente, eu acho que Del Toro poderia ter reduzido um pouco a carga dos dois lados (menos sustos, menos romance). Diferente de “O Labirinto”, a história deste filme é menos fantasiosa, bem menos profunda e bastante linear (sendo até previsível). Isso não é necessariamente um problema (se a história for boa), mas deve ser uma decepção para os fãs de Del Toro. Ah, uma semelhança que notei é que o filme mostra uma cena que realmente só ocorrerá ao final, para depois realmente iniciar sua história, assim como “O Labirinto do Fauno”.

O filme tem imagens de encher os olhos e uma fotografia muito bonita. A cena em que Edith entra na mansão pela primeira vez é muito boa: dá pra ter uma boa noção da dimensão e das nuances obscuras do lugar (no IMAX, esta cena é ainda mais impressionante). A Lucille de Jessica Chastain acaba sendo a personagem mais memorável: a atuação dela às vezes pareceu um pouco exagerada, mas fez com que a psicopatia da personagem ficasse bem evidente (a cena em que ela serve uma sopa para Edith raspando a colher lentamente na borda do prato consegue ser mais tensa que vários sustos do filme). Wasikowska também consegue transmitir a impressão de que sua personagem é uma mulher à frente de seu tempo; apesar de estar apaixonada, não demora a perceber que muita coisa está errada e acaba tendo o papel ativo na solução da trama. Com isso, Hiddleston acaba ficando um pouco de lado, já que as melhores cenas são entre as duas personagens.

Foto promocional do filme 'A Colina Escarlate' com Lucille Sharpe

“A Colina Escarlate” é bastante diferente de “O Labirinto do Fauno” e não chega a ser tão bom. Acredito que a previsibilidade da história e a mistura confusa de sustos e romance foram os pontos fracos do filme. Tecnicamente, por outro lado, o filme é muito bom e deve conseguir alguma indicação nesta área nas premiações de cinema.

NOTA: 7,5 / 10

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