O que achei do documentário “Amy”

Capa do documentário 'Amy'

Quando soube que o documentário “Amy”, sobre a vida de Amy Winehouse, estava sendo produzido, eu fiquei com uma expectativa muito grande. Acompanhei a divulgação de trailers e datas de lançamento nos cinemas estrangeiros e estava ansioso por sua chegada nas telas brasileiras. Infelizmente, a falta de visão da distribuidora brasileira fez com que o filme não fosse exibido simultaneamente com os demais países onde foi lançado. Como se não bastasse isso, a Universal Music só exibiu o filme em um festival (o Music Video Festival, em SP) e nos cinemas da rede Cinemark (que não tem salas em Fortaleza, por exemplo). Na última semana, uma rede de cinema de Fortaleza conseguiu trazer o filme para exibição (a Fundação Joaquim Nabuco, do Dragão do Mar). Apenas uma… Mesmo assim, é bem-vindo, mas o documentário já está sendo lançado hoje nas lojas digitais e também em DVD/Blu-ray. Depois reclamam da pirataria, vou te contar…

“Amy” foi dirigido por Asif Kapadia, o mesmo nome por trás do premiado “Senna” (sobre a vida do piloto brasileiro Ayrton Senna) e monta uma cronologia dos eventos que levaram Amy ao estrelato, assim como ao declínio, a partir dos depoimentos de amigos e familiares, exibindo fotos e vídeos pessoais, assim como vídeos de bastidores, performances e entrevistas em diversos veículos. Eventualmente, o diretor mostra trechos de quando Amy era mais jovem, para servir de base para as falas que são pontualmente inseridas durante a cronologia, sem fugas grandes de contexto.

Foto de cena de 'Amy', mostrando Amy Winehouse no início da carreira

Se eu não me engano, os entrevistados só dão sua contribuição através de suas falas, não há imagens das entrevistas que foram pro documentário. Isto é uma boa escolha: o foco não é nos entrevistados. Ainda sobre isso, o feito mais notável para mim é que a história é contada pelos próprios depoimentos. Não há necessidade de narração, pois o contexto é apresentado através de algumas legendas e através das falas dos depoimentos, como em “Senna”. As duas horas fluem muito bem, intercaladas com trechos das performances muito bem selecionadas e distribuídas, junto com a letra da música na tela. A qualidade das imagens e vídeos é muito boa e bastante diversificada.

O documentário aponta diversos fatos da carreira, inclusive a real causa de sua morte. Além disso, mostra que Amy foi uma jovem com diversos problemas psicológicos, que se agravaram quando ela começou a ficar famosa e, mais ainda, quando conheceu Blake Fielder-Civil. Sem contar a imagem de oportunista que passa sobre seu pai, Mitch Winehouse, o que eu já suspeitava (por sinal, ele  repudiou este documentário e acredito que foi justamente por não ficar satisfeito com a imagem dele — que idiota egoísta). Um dos grandes trunfos do documentário e, ao mesmo tempo, prova de que “o mundo queria um pedaço de Amy Winehouse”, é que há áudios, vídeos e imagens para todos os momentos que foram relatados. Isso me deu um misto de pena, de tristeza e até me fez refletir um pouco sobre a grande exposição que ela sofreu. Há inclusive imagens que mostram a deterioração de sua saúde, os reflexos do relacionamento conturbado com Blake e imagens das pessoas saindo de seu funeral.

Foto de Amy Winehouse e Blake Fielder-Civil em 2010

O documentário não busca apontar culpados, mas é impossível não perceber que certos momentos-chave passaram despercebidos, como diz o primeiro empresário de Amy, Nick Shymansky. Ao assistir o documentário, eu aumentei mais ainda a minha admiração por ela como artista, apreciei ainda mais sua humildade e carisma, mas senti bastante pena e tristeza por ela ter sido arrastada gradualmente para as drogas, principalmente por conta da influência negativa de Blake. Sem contar a raiva que senti em diversas passagens que mostram um Mitch negligente e oportunista (o documentário que ele inventou de fazer — sobre ele, aham — enquanto ela estava se recuperando em Santa Lucia, foi abominável). É impossível não ficar tocado em diversas passagens, mas o documentário não tenta te ganhar pelo lado emocional, o que é um alívio.

Conheci Amy Winehouse em 2007, pouco tempo depois que ela lançou o álbum “Back to Black”. Na primeira vez que ouvi “Rehab”, o primeiro single do álbum, achei diferente de tudo que estava tocando na rádio. Um jazz contemporâneo, com sons orgânicos e letras muito criativas, ao som de uma voz bastante singular. Eu ouço “Back to Black” sem pular nenhuma música. Não são todos os artistas que conseguem fazer um álbum inteiramente prazeroso de se ouvir. Daí, fui devorar sua discografia, acompanhar sua carreira… E foi assim que acabei me envolvendo ainda mais com a música britânica (Mark Ronson, Adele, Leona Lewis, e por aí vai). Em 2011, surgiu a possibilidade de vê-la em um show que ela fez em Recife, com abertura de Janelle Monáe (que eu também conheci e viciei por causa dela). Tive que escolher entre ir para o show ou reprovar uma disciplina de um curso de pós que eu já estava louco para terminar… Mas, se pudesse vislumbrar o que aconteceria em alguns meses, eu teria feito uma escolha diferente. Depois disso, eu passei a aproveitar melhor as oportunidades de shows que eu tinha, mesmo que isso significasse ir sozinho. Ou seja, mesmo depois de sua morte, Amy ainda influencia minha vida em alguns aspectos. E acredito que influencia a vida de muitos outros fãs no mundo.

O documentário está sendo exibido em Fortaleza no cinema do Centro Dragão do Mar e já está à venda nas plataformas digitais e também em Bluray e DVD.

NOTA: 10/10

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Comentários

3 comentários sobre “O que achei do documentário “Amy””

  1. Massa! Vou assistir! Uma pena uma pessoa com voz tão única partir tão cedo. Ela realmente trouxe um estilo musical muito bom de escutar. Se você procurar artistas semelhantes no Deezer por exemplo verá nada mais nada menos que : Norah Jones, Joss Stone, Steve Wonder, Jani joplin e Aretha Franklin. Resumindo, faz parte de um grupo musical top.

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