O que achei da primeira temporada de “Scream”

Pôster da série 'Scream'

A franquia de filmes “Pânico” (Scream) marcou uma geração. Quando o primeiro filme foi lançado, fez muito sucesso com uma trama cheia de reviravoltas e metalinguagem; foi dado um novo sentido à pergunta: “Quem é o assassino”. As sequências seguintes não tiveram a mesma força, embora o carisma dos personagens principais (a Sidney Prescott de Neve Campbell é inesquecível) tenha amenizado. Pouco tempo depois do lançamento do quarto e último filme da franquia, em 2011, a MTV começou a desenvolver uma série baseada na franquia, que finalmente foi exibida nos EUA em Junho deste ano. E podemos dizer que, em termos de roteiro, ela faz jus aos filmes. Já o elenco…

A história da série se passa em uma cidade chamada Lakewood. Um vídeo de duas garotas se beijando é publicado na internet, sem que elas saibam, e se torna viral. Só que uma das pessoas que fez o vídeo, Nina (Bella Thorne), acaba sendo morta na mesma noite por um ser vestido de preto, encapuzado, usando uma máscara sinistra. O assassino passa a entrar em contato com Emma Duvall (Willa Fitzgerald), cúmplice de Nina, enquanto segue matando mais vítimas. Emma decide então tentar descobrir quem é o assassino, com a ajuda de seus amigos, e acaba descobrindo mais coisas do que esperava.

Cena da série 'Scream' onde Emma recebe uma ligação do assassino

O roteiro é bem interessante, no que diz respeito à história principal. Aqui também existem os estereótipos que a maioria dos filmes e séries adolescentes tem: a mocinha, a gostosa, o galã misterioso, o nerd, a bissexual, etc… Mas até próximo do final da temporada, não é possível dizer ao certo quem é o assassino e nem a motivação, pois muita gente tem seus podres. Nisso, a série consegue acertar. Entretanto, existem umas subplots que nada acrescentam — a chantagem que Jake (Tom Maden) e Will (Connor Weil) fazem com o pai de Brooke (Carlson Young) e o mistério do sumiço da mãe de Brooke — e que são tão chatas… Sem contar que elas “se resolvem” sem consequências para os envolvidos. Os roteiristas também conseguiram modernizar a franquia, fazendo com que os personagens (inclusive o assassino) falem sempre em internet, redes sociais, smartphones, podcasts e, inclusive, séries atuais como “Game of Thrones” e “Scandal”. Aliás, Noah (John Karma) é o rei das referências: ele é o nerd que adora filmes de terror e é responsável por praticamente todas as frases metalinguísticas da série. Eu também estava me perguntando se a série ia seguir um formato antológico, com uma história por temporada. Embora o assassino seja revelado nesta temporada, aparentemente, a segunda temporada vai continuar do ponto em que esta terminou.

Cena da série 'Scream' onde o assassino está atrás de uma vítima desavisada

Agora vamos ao ponto mais fraco da série: o elenco. Meu Deus, que elenco ruim. Sério, enquanto eu assistia eu tava torcendo que o assassino matasse todo mundo para que não precisasse revê-los na próxima temporada (já confirmada). Nenhum dos personagens me conquistou, os atores não tem carisma e o impacto das ótimas falas se perde. Imagino a frustração dos roteiristas ao verem seus diálogos sendo falados sem a menor emoção. Uma das piores é a própria protagonista da série, Willa Fitzgerald, que nem de longe transmite as mesmas emoções que Neve Campbell na franquia de filmes. Carlson Young tem uma voz extremamente irritante e ela consegue deixar a sua personagem gostosona muito, muito chata. Tentaram dar uma ar de revolta e menos superficialidade no final da temporada, mas a atriz definitivamente não conseguiu ter sucesso. Nossa, poderia falar de todos os atores, mas 2 ainda meio que se salvam: Amelia Rose Blaire, que interpreta Piper, uma podcaster muito abelhuda, e Bex Taylor-Klaus, que faz uma das garotas do beijo viral, a Audrey. Amelia está razoável e Bex sofre um pouco na atuação, mas acaba sendo satisfatória.

Foto promocional do elenco da série 'Scream'

Do ponto de vista técnico, “Scream” é boa. Fiquei com medo depois do primeiro episódio, porque tinha uma cabeça decapitada muito mal-feita, mas os episódios seguintes estão um pouco melhor produzidos. A cidade é supostamente pequena, mas há vários pontos abandonados, que servem de locação para diversas cenas. Uma coisa bacana é que o assassino se comunica com Emma também por mensagens no smartphone, e os cortes de cena que mostram as mensagens (muito frequentes nesta temporada) são muito bem feitos. Os efeitos sonoros também são bons, a música de suspense é boa, os toques de celular são idênticos aos da realidade; as músicas cantadas que tocam na série, por outro lado, são é facilmente esquecíveis.

Cena da série 'Scream' onde Audrey, Noah e Emma investigam um notebook

O personagem Noah (John Karna) fala na série que “não é possível adaptar um filme de terror no formato de série”. Apesar dos pesares, acho que conseguiram, sim. Apesar desse problema, vou disparar logo que “Scream” consegue se sair melhor que “Scream Queens”. Se não fosse pelo péssimo elenco, esta série teria sido melhor recebida, na minha opinião. Vamos torcer que os atores tenham recebido algum workshop para a segunda temporada, que está prevista para Junho do ano que vem, na MTV Americana. O Netflix obteve os direitos para disponibilizar a série no Brasil e em outros países, o que fez em Outubro. Se você quiser assistir a uma série de terror num estilo anos 90, mas atualizada e não se importar com a atuação, recomendo dar uma olhadinha em “Scream”.

NOTA: 7,5 / 10

>