O que achei do filme “Cidades de Papel”

Pôster do filme 'Cidades de Papel'

Antes de iniciar este post, devo esclarecer que eu não li o livro homônimo de John Green, no qual foi baseado o filme. Portanto, não tenho como julgar o filme como adaptação. “Cidades de Papel” foi adaptado para o cinema pelos mesmos roteiristas de “A Culpa é das Estrelas”, também de Green, e foi lançado em Julho deste ano nos cinemas brasileiros. Agora que o filme está disponível em DVD/Blu-Ray, tive a oportunidade de assistir, mas meu interesse não foi por causa de “A Culpa é das Estrelas” (que achei bem normal, nada de mais); foi mais pela atriz Cara Delevingne, mesmo.

Cara Delevingne começou a carreira como modelo, chamou a atenção dos produtores de cinema e, nos últimos anos, vem demonstrando seu talento como atriz; inclusive, participou do clipe de Taylor Swift para a música “Bad Blood”. Rapidamente, Cara se tornou presença quase que constante no showbiz. Daí, fiquei me perguntando se é pra tanto e resolvi conferir a performance dela no filme.

Foto de cena do filme 'Cidades de Papel' onde Margo e Q estão em um supermercado

A história do filme se passa em Orlando, Florida. Quentin ou “Q” (Nat Wolff) é um nerd que nutre uma paixonite desde criança por sua vizinha, Margo (Delevingne). Eles se conheceram quando crianças, mas se afastaram com o passar dos anos, embora continuem sendo vizinhos e estudem na mesma escola. Uma noite aleatória, Margo decide se vingar de seu namorado por tê-la traído com uma de suas melhores amigas, da dita cuja, do melhor amigo do namorado e de Lacey (Halston Sage), uma amiga que Margo acreditava que sabia da traição e não tinha contado. Margo entra inesperadamente no quarto de Q pela janela e o convida para ser seu cúmplice. Animado com a possibilidade de voltar a conviver com Margo, ele aceita o convite. Depois da noite de vingança, para a tristeza de Q, Margo desaparece. Q então percebe uma série de indícios que podem levar ao paradeiro de Margo e, juntamente, com seus amigos Ben (Austin Abrams) e Radar (Justice Smith), tentam desvendar o mistério do desaparecimento de Margo. A premissa é bem interessante, mas o desenrolar do filme deixa bastante a desejar. No próximo parágrafo, vou falar uma série de spoilers, é melhor pular se não quiser saber deles.

Alguns acontecimentos são plenamente dispensáveis, como quando Q e Margo encontram um cadáver quando crianças. O desenrolar da investigação ocorre sem praticamente nenhum revés, o que é bem difícil de engolir (as pessoas das quais Margo se vingou são totalmente coadjuvantes — engoliram a seco tudo o que ela fez; a mãe de Q aparentemente não tá nem aí pro filho: passa a noite fora de casa, viaja com o carro dela…). A adição súbita dos novos membros à equipe de busca de Margo também me soou bem forçada (a namorada de Radar aceita tudo muito fácil e Lacey não tem uma motivação tão forte pra sair com um bando de nerds). O filme tem alguns poucos momentos engraçados (eu ri quando os 3 nerds começaram a cantar o tema de Pokémon — do nada, diga-se de passagem).

Foto de cena do filme 'Cidades de Papel' onde a equipe da busca por Margo pega a estrada

Nenhum dos atores consegue se sobressair no filme. Delevingne só aparece no início e no final do filme, mostra que sabe fazer a bad girl (acho que ela é assim na vida real, então fica fácil), mas nas cenas finais, Delevingne atua de forma muito básica, nada que mereça elogios. Já Nat Wolff tem muito a melhorar, suas expressões praticamente foram as mesmas durante o filme todo (Kristen Stewart? hehe). Ele esteve muito melhor em “A Culpa é das Estrelas”, mesmo aparecendo pouco! Aproveitando, há a participação especial de Ansel Engort em uma cena deste filme. E aqui, não há uma música significativa, como em “A Culpa” (Charlie XCX com “Boom Clap”).

Este é um filme adolescente bem bobinho, bem menos profundo e menos interessante que “A Culpa é das Estrelas”. Pode ser que o livro realmente não tenha ajudado na história, mas com certeza os atores não ajudaram muito. Vi o filme por causa da Delevingne, mas percebi que ela não é famosa por conta do talento, é mais hype da mídia mesmo. Ainda bem que decidi esperar pra ver o filme depois que ele já estava fora dos cinemas, porque eu teria saído bem chateado hehe. Espero que as próximas adaptações dos livros de Green mantenham o nível de “A Culpa” — a adaptação de “Quem é você, Alasca?” já está em produção e “An Abundance of Katherines” (sem título no Brasil) terá sua produção iniciada.

NOTA: 6,5 / 10

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