O que achei de “A Travessia”

Cena do filme 'A Travessia' em que Philippe se deita sobre o cabo de aço

Eu estava com alguma expectativa sobre este filme desde que vi o trailer em Maio deste ano. Talvez essa expectativa tenha sido meio alta, porque o filme é bom, mas eu sinto que poderia ter sido melhor.

Basicamente, o filme fala sobre a história do equilibrista francês Phillippe Petit e sua ambição por atravessar as torres gêmeas do World Trade Center (em New York) sobre um cabo de aço, de uma torre para a outra. O filme é baseado em fatos reais, descritos num livro escrito pelo próprio equilibrista. Joseph Gordon-Levitt interpreta Philippe, um jovem artista de rua, ambicioso e sonhador. Um dia, nos anos 70, vê em um jornal uma notícia sobre a construção das torres gêmeas e logo se empolga com a ideia de atravessá-las sobre um cabo de aço. Para atingir tal feito, ele busca o apoio de sua namorada, Annie (Charlotte Le Bon) e seu mentor inspirador, Papa Rudy (Ben Kingsley). Com o apoio deles e outros amigos que surgem no decorrer de sua jornada, Philippe consegue realizar o seu feito.

Cena do filme 'A Travessia' em que Philippe explica seu plano para Annie

Sim, eu já entreguei que ele faz a travessia, hehe. A história no filme é muito positiva, dificilmente alguma coisa dá errado (eu não li o livro original, então não faço ideia do que realmente ocorreu), então você sabe que ele vai conseguir realizar a travessia desde o início. Mas o forte do filme não é a história, é o visual. Não só as locações são impressionantes, mas os efeitos visuais fazem com que você assuma o papel do protagonista andando sobre o cabo de aço. É de fazer qualquer um suar de apreensão. A experiência de se assistir em um cinema é maravilhosa (se for IMAX então…). O diretor Robert Zemeckis consegue fazer com que o ato da travessia seja empolgante, mesmo quando já sabemos que tudo vai dar certo.

A primeira metade do filme basicamente nos contextualiza sobre Philippe e mostra como ele vai se preparando para o grande feito, que ocorre na segunda metade. O filme faz uso do artifício de narração do protagonista, com cortes onde ele aparece narrando os eventos que estavam sendo apresentados na cena anterior. E acaba sendo meio esquisito ver o protagonista narrando do alto da estátua da liberdade com as duas torres ao fundo — soa falso. Achei isso bem desnecessário, bastava a narração por cima dos eventos. A primeira metade do filme chega a ser chata, principalmente por conta dessas intromissões. Porém, a segunda metade é tão empolgante que compensa esse problema. É muito divertido ver o grupo se preparando, esquematizando e executando todos os passos para chegar ao topo das torres. Eu falei que tudo dá certo, mas sempre tem alguma coisa que acaba fugindo do planejado, e aqui não é diferente.

Cena do filme 'A Travessia', em que Philippe está no topo de uma das torres imaginando sua travessia

O filme tem pouco mais de duas horas de duração, que você passa a não sentir mais a partir do momento que o segundo arco se inicia. Gordon-Levitt está com um sotaque esquisito, não remete muito a um francês, mas demonstra as emoções de Philippe de forma eficaz. Já Ben Kingsley é impressionante: as poucas cenas em que ele aparece são totalmente dominadas por ele. O tom de comédia está bom; algumas piadinhas com o personagem drogado poderiam ser limadas. A trilha sonora de Alan Silvestri é muito boa, indo dos momentos mais lúdicos aos momentos mais tensos de forma formidável.

Como eu falei, “A Travessia” é um bom filme visual. Se a primeira metade do filme tivesse sido melhor trabalhada e a questão da narração fosse modificada, provavelmente teria sido bem melhor. Eu acredito que o filme possa concorrer nas categorias mais técnicas das premiações (trilha sonora tem grandes chances, mas roteiro adaptado eu já não sei) e até na categoria de melhor ator coadjuvante (Kingsley). Mas eu não sei se tem força suficiente para derrotar os outros grandes filmes que estarão disputando.

NOTA: 8 / 10

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