O que achei de “Perdido em Marte”

Pôster de 'Perdido em Marte'

Outro filme que se passa no espaço? Já reparei que existe uma tendência de se lançar anualmente filmes blockbuster com essa temática (tivemos “Gravidade” em 2013 e “Interestelar” em 2014). Entretanto, “Perdido em Marte” (The Martian) é bastante diferente dos dois anteriores no que diz respeito à forma como a história é conduzida.

O filme começa mostrando a expedição Ares III em Marte. 18 dias depois do início da missão,  uma forte tempestade de areia surge subitamente e eles devem deixar o planeta. Porém, um dos membros da equipe, Mark Watney (Matt Damon), acaba sendo atingido por um equipamento e se perde dos demais. Por conta das condições, a equipe assume que ele está morto e deixa o planeta. Surpreendentemente, Mark sobrevive à tempestade. Mas, por quanto tempo ele vai conseguir sobreviver em Marte?

Essa parte da história do filme já se estabelece ao longo dos 15 minutos iniciais (nada de enrolação, que bom). E, de alguma forma (não vou dizer aqui, obviamente), a NASA toma conhecimento de que ele está vivo e começam a bolar diversos planos para tentar resgatá-lo. Isso faz com que o filme não fique centrado exclusivamente no personagem de Matt Damon, mas não há como negar que o carisma do ator é um dos pontos fortes do filme.

Cena do filme 'Perdido em Marte' em que Mark está contemplando o planeta em que foi deixado

Dirigido por Ridley Scott, o filme conta a história de forma bem objetiva, diferente de “Gravidade”, mas existem alguns pequenos momentos de contemplação. Aqui, tudo é explicado de uma forma crível, diferente de “Interestelar”. Entendam: eu realmente não sei se tudo no filme é cientificamente correto, mas nós ficamos com a sensação de que existe uma lógica bastante pertinente; não é possível ter esta mesma sensação nos dois filmes anteriores (principalmente em “Interestelar”). As duras decisões que precisam ser tomadas pela NASA nos planos para o resgate de Mark também soam bastante realistas (sem tempo para concluir um projeto? Elimine os testes: true story). E, sim, existe um tom de comédia muito bem acertado, especialmente no que diz respeito à trilha sonora (que eu achei muito legal).

Cena do filme 'Perdido em Marte' onde Mark marca os dias que já passou em Marte

Matt Damon e Jessica Chastain estão muito bem em seus papéis (curiosamente, ambos atuaram em “Interestelar”). Matt consegue transmitir a inteligência, o sarcasmo e o desespero de forma eficiente; Jessica, no papel da líder da equipe, Lewis, demonstra toda a autoridade e frieza da função, intercalando discretamente com emoções mais humanas. O filme conta ainda com a presença de Jeff Daniels (muito bem também), Sean Bean (a cena que faz referência a “Senhor dos Anéis” acaba sendo ainda mais engraçada por conta da presença dele), Chiwetel Ejiofor (de “12 Anos de Escravidão”) e Kristen Wiig (tentando mostrar que sabe atuar em outros gêneros além das comédias; está mais pra coadjuvante, ainda). Devo dizer, porém, que não gostei da forma como o importante personagem de Donald Glover participa do filme. Ele aparece na metade do filme, desempenha um papel extraordinário nos planos do resgate (com conhecimento de informações consideradas secretas — um furo?), daí some e só reaparece no final do filme, em uma cena rápida. Consideração pra quê, né…

Tirando esse probleminha, “Perdido em Marte” é uma experiência muito agradável e um dos melhores filmes deste ano. Divertido, didático e tenso na medida certa, com efeitos visuais muito bons, além de boas atuações. Acredito que o filme receba indicações técnicas para as premiações de cinema (podendo até levar algumas, como Melhor Roteiro Adaptado), mas não sei se o carisma de Matt Damon é suficiente para indicações para o prêmio de Melhor Ator (creio que não), mas vamos ver!

NOTA: 9 / 10

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