O que achei de “Descompensada”

Há alguns meses, eu estava fuçando na Internet e percebi um certo hype em torno de Amy Schumer. Eu não fazia a menor ideia de quem ela era e fui pesquisar. Amy é uma atriz e comediante, mais conhecida nos EUA pelo seu programa “Inside Amy Schumer” (que também está passando no Brasil, no Comedy Central), vencedor do Emmy de Melhor Programa de Variedades/Esquetes deste ano. Ela também apresentou o MTV Movie Awards deste ano e também foi a protagonista de um ensaio ousado com o tema de Star Wars na revista GQ. Enfim, depois de toda essa introdução, basta que vocês saibam que ela é o nome “modinha” da comédia nos EUA no último ano. Agora, ela conseguiu se aventurar pelo cinema com um filme onde ela é a protagonista e a roteirista: “Trainwreck”, que se chama “Descompensada” no Brasil.

Pôster do filme 'Descompensada'

A história do filme é a seguinte: Amy (Schumer) cresceu aprendendo com seu pai que a monogamia não existe. Assim, ela costuma sair para barzinhos, fumar algumas coisas e costuma sair com vários parceiros, sem estar envolvida emocionalmente com nenhum. Ela também é jornalista de uma revista chamada S’nuff, chefiada por Dianna (Tilda Swinton), que se interessa pela perspectiva de Amy sobre a estupidez dos esportes e pede que ela faça uma reportagem sobre Aaron Conners (Bill Hader), médico famoso por cuidar de vários atletas. Entretanto, Amy não esperava que Aaron pudesse despertar nela o sentimento no qual ela não acreditava.

Amy e Bill Hader não são atores excepcionais, mas conseguem desempenhar seus papéis de forma eficaz. Tilda Swinton está irreconhecível, com um sotaque forte e imprime a objetividade e o tom certo para a chefe da revista. Também há muitas participações especiais, como a do jogador de basquete LeBron James (interpretando ele mesmo, melhor que muitos atores por aí), Daniel Radcliffe, Marisa Tomei, Ezra Miller (a sequência que ele leva Amy para a casa dele é engraçadíssima), Matthew Broderick, entre outros. O filme é longo, mas tem um ritmo tranquilo.

Cena do filme 'Descompensada' em que Amy está no escritório de Aaron

Não é à toa que o filme lembra muito “Missão Madrinha de Casamento”, já que Judd Apatow está envolvido nos dois (ele dirigiu este e produziu “Missão”). As duas protagonistas também são  atrizes comediantes e estiveram envolvidas no roteiro dos seus respectivos filmes (Kristen Wiig, em “Missão”). A espinha dorsal dos dois filmes é idêntica: uma mulher acomodada tem que enfrentar uma nova situação, encontra um cara muito bacana, passa por conflitos com ele e etc. As piadas são bem sutis e inteligentes e, diferente de “Missão”, este não apela para a escatologia. A sequencia final me lembrou muito “Pitch Perfect: A Escolha Perfeita”, por causa da ideia de  Amy utilizar a música preferida de Aaron (“Uptown Girl”, de Billy Joel) para reconquistar o seu amor. Note que eu não falei que ela canta a música; veja você mesmo o que ela vai fazer.

“Descompensada” tinha previsão de lançamento nos cinemas brasileiros para o mês passado, mas a Universal alegou uma “decisão comercial” e o filme deve acabar chegando apenas em home vídeo mesmo. Será que foi a temática do filme (monogamia inexistente)? Apesar da sensação de dèja-vu em algumas sequências do filme, espero que a Netflix Brasil disponibilize, pois assim o grande público pode conhecer o talento de Amy Schumer.

NOTA: 7,5 / 10

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