O que achei de “Sense8” – Temporada 1

Eu não estava muito interessado em ver essa série criada pelos irmãos Wachowski e por J. Michael Straczynski (Babylon 5) por alguns motivos: 1) os irmãos Wachowski normalmente não conseguem executar muito bem suas ideias – vide as sequências de Matrix e o filme de Speed Racer; 2) o hype em torno da série me afastou: tem gente falando que é o novo Lost; 3) li alguns comentários sobre o exagero das cenas de sexo. Eu não me incomodo desde que cumpra um papel significativo na série. Infelizmente, constatei as 3 coisas depois que me forcei a assistir a temporada.

Banner de Sense8

Vou tentar resumir Sense8: 8 pessoas de lugares diferentes do mundo descobrem que possuem a habilidade de se comunicar e partilhar de suas habilidades, sensações e conhecimentos. Eles são “sensate”, pessoas que possuem uma ligação mental e emocional fora do comum. Cada grupo de pessoas interligadas forma o que se chama de “cluster“. O problema é que existe uma conspiração que está tentando exterminá-los (X-Men feelings) e eles devem se unir para sobreviver.

Uma ideia interessante, mas poderia ter sido mais objetivamente executada. Vamos direto ao ponto: a história é bem arrastada. Durante boa parte da temporada, o foco é explorar os núcleos de cada sensate individualmente, com pequenas interferências de um com o outro. As interferências servem para que o espectador entenda como acontecem as experiências dos sensate. Nem todos os núcleos individuais são interessantes: o núcleo indiano pra mim foi o mais enrolado (rodou, rodou e não saiu do canto) e o núcleo britânico só me despertou um pouco de interesse mais pro final da temporada. Só depois é que as coisas começam a se interligar um pouco e a história começa a engrenar. Mas, tal como Lost, grande parte dos mistérios perduram para a próxima temporada (ou próximas?).

Foto promocional com os personagens principais de Sense8

Não gostei de todos os personagens. A indiana Kala (Tina Desai) é chata demais, a Riley (Tuppence Middleton) é tão perturbada que não me cativou, o mexicano Lito (Miguel Ángel Silvestre) chega a ser bastante caricato e a falta de expressões de Sun (Bae Donna) não permite que a gente sinta pena dela (só tem expressão nas cenas de ação. De resto…). Alguns atores coadjuvantes são até mais interessantes: Angelica (Daryl Hannah), a “mãe” desses sensate, que aparece em algumas cenas; Hernando (Alfonso Herrera, ex-RBD, quem diria) está carismático como namorado secreto de Lito. Naveen Andrews (Sayid de Lost) está atuando como Jonas, um sensate que supostamente deseja ajudar esse cluster. A natureza dúbia do personagem fica clara e é um acerto do ator. Enfim, nem todos os personagens são bem desenvolvidos: dá a impressão de que só um dos personagens tinha essas habilidades desde criança (Will). A fácil aceitação de ser um sensate também é bastante questionável.

Cenas de sexo: em quase todo episódio tem, principalmente nos primeiros. Uma cena em particular, do 6o. episódio, foi a que eu achei mais desnecessária (praticamente uma orgia). Existe bastante didatismo nas cenas com a transexual Nomi e muito clichê nas cenas com o mexicano Lito. Nem tudo é reclamação, claro. Como em todas as produções dos Wachowski, as cenas de ação são muito bem executadas e os efeitos especiais são bons (embora os protagonistas mal sofram arranhões, rs). A trilha sonora é razoável. Ao longo da série, somente duas músicas chamam a atenção (“What’s Up”, do 4 Non Blondes e “Mad World” em versão instrumental); as demais músicas são passáveis.

Foto de cena com Sun detonando um bandido

São 12 episódios de aproximadamente 50 minutos cada, disponíveis no Netflix. A segunda temporada está prometida para 2016. Espero que ela seja mais objetiva e mais bem desenvolvida do que esta.

NOTA: 7 / 10

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