O que achei de “Que Horas Ela Volta?”

Para iniciar o blog, nada melhor do que falar de um dos melhores filmes do ano!

“Que Horas Ela Volta?” conta a história de Val (Regina Casé), empregada de uma família de classe alta de São Paulo. Val deixou Pernambuco para tentar arranjar um trabalho que permitisse sustentar sua filha Jéssica (Camila Márdila), mesmo que fosse à distância. Ela trabalha (e mora) na casa há tanto tempo que já é considerada como parte da família, principalmente pelo filho dos patrões. Com o passar do tempo, Jéssica decide fazer faculdade em São Paulo e pede o acolhimento da mãe. Val consegue autorização para trazer a filha para a casa dos patrões e, assim, a vida de todos começa a ser influenciada pela presença de Jéssica na casa. Val agora tenta voltar a se relacionar com sua filha, hoje questionadora, rebelde e que desafia as “regras” da casa.

Eu estava de olho neste filme desde que ouvi falar de seu desempenho nos festivais de Sundance e Berlim, no início deste deste ano, onde foi ovacionado pela plateia e faturou alguns prêmios importantes, como o de Melhor Atriz (em Sundance, para Regina Casé e Camila Márdila). Não sei porque demorou tanto a estrear no Brasil, mas fiquei feliz ao saber que está em cartaz em mais de um cinema daqui de Fortaleza.

O filme é uma grata surpresa do cinema nacional, que ultimamente está repleto de comédias sem graça (com raras exceções). Apesar de ser previsível, o roteiro possui alguns alívios cômicos e não apresenta cenas desnecessárias (embora algumas pudessem ter sido encurtadas, como a cena em que Val e sua colega ficam na cozinha espiando Jéssica e o patrão na sala de jantar). Sem soar apelativo, exibe diversas questões sociais ao longo de suas imperceptíveis quase duas horas de duração: diferenças econômico-sociais, trabalho doméstico, maior acessibilidade da educação superior, assédio moral e sexual, e por aí vai. O áudio, um dos principais problemas dos filmes brasileiros, é compreensível na maioria das cenas.

As atuações são o que realmente chamam a atenção deste filme. Regina Casé está fantástica, com um sotaque muito bom, com expressões e gestos que nunca soam forçados ou exagerados. Além dela, Camila Márdila também apresenta um trabalho muito bem elaborado, fazendo com que o público também fique dividido entre concordar com seus questionamentos ou se incomodar com a sua petulância.

O filme me deixou muito satisfeito e acredito que ele será a indicação brasileira deste ano para a vaga de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2016. Mas me surpreenderia se aparecesse alguma indicação também para a Regina Casé na categoria de Melhor Atriz (até hoje, Fernanda Montenegro foi a única brasileira indicada na categoria). Se você ainda não viu, aproveite pois ele está em cartaz em diversos cinemas nacionais, uma raridade para este tipo de filme!

Atualização em 10/09/2015: E como eu imaginava, o filme foi escolhido pelo Ministério da Cultura para representar o Brasil na corrida pelo Oscar 2016! Já estou na torcida!

Nota: 9,5 / 10

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