O que achei do primeiro episódio de “Heroes Reborn”

Foto promocional de Heroes Reborn com o personagem de Jack Coleman, Noah Bennett

Eu era um espectador assíduo de “Heroes”, a série original. Adorei a premissa e gostava dos personagens. Porém, a partir da segunda temporada (afetada pela greve dos roteiristas), ela começou a declinar até que foi cancelada na 4a temporada (eu deixei de assistir ao longo da terceira). Quando anunciaram uma série nova, fiquei cético: será que, quase 10 anos depois da primeira temporada, essa história ainda funcionaria? Pelo que foi apresentado neste primeiro episódio, eu acho que não.

O episódio começa com um atentado contra um evento que reunia diversos seres com habilidades especiais, que agora são chamados de “Evos”. Dentre os sobreviventes, estão Noah Bennett (Jack Coleman, o pai da cheerleader Claire), Luke (Zachary Levi) e Joanne (Judith Shekoni). 1 ano depois, os Evos remanescentes estão acuados, tentando não chamar a atenção das autoridades (os Evos estão sendo perseguidos). Enquanto Luke e Joanne decidem exterminar todos os Evos para vingar a filha morta no atentado, Noah está parcialmente desmemoriado, tentando recomeçar sua vida sem Claire (também supostamente morta no atentado). Quando um desconhecido chamado Quentin (Henry Zebrowski) o aborda em busca de respostas sobre a morte de sua irmã no atentado, Noah começa a perceber que existe algo maior por trás do incidente.

Foto de cena da série Heroes Reborn com o personagem Luke, de Zachary Levi

Paralelamente, somos apresentados a outros personagens: o jovem estudante Tommy (Robbie A. Kay), em um arco que lembra muito o de Claire na primeira temporada; o ex-soldado Carlos (Ryan Guzman), que descobre que seu irmão é um Evo que tentava fazer justiça como o “El Vengador”; Miko (Kiki Sukezane), que parte em busca de seu pai, um designer de games desaparecido, da forma mais surreal possível; um misterioso velhinho (Pruitt Taylor Vince) cujo poder envolve uma maleta cheia de centavos de dólar que ele carrega.

Muita coisa nessa história não se encaixa: que vingança mais esquisita a de Luke e Joanne – como se todos os Evos tivessem sido responsáveis pela morte da menina; Noah desmemoriado lembra de coisa demais até; El Vengador também conseguiu mapear todos os Evos, que nem o Mohinder Suresh da série original? Mas a história mais bizarra é a de Miko. Como se não bastasse envolver cenas de um jogo de videogame de design duvidoso, como ela nunca teve a curiosidade de entrar no escritório do seu pai? E o fato de ter histórias em quadrinhos contando o futuro remete à história de Hiro Nakamura na série original. Reciclagem de plots?

Foto promocional com o elenco de Heroes Reborn

Muita coisa pode fugir do entendimento de espectadores novatos, já que existem referências muito fortes com a série original. Assim, as coisas devem acabar sendo explicadas aos poucos, o que não deve funcionar no ritmo acelerado de hoje. A falta de ganchos fortes pode fazer com que o público não seja fisgado pela série. É bom que façam alguns ajustes para atualizar a série, porque ela está visivelmente datada.

NOTA: 7 / 10